sábado, 8 de setembro de 2018
1 década!
São 10 anos que é já 1 década!
Páro e penso que não tenho idade para estar casado há 10 anos, mas depois lembro-me desta fotografia e lembro-me de tudo o que já vivemos nestes 10 anos....
Ao longo destes 10 anos, houve tantos dias em que pensei nesta foto.
Já mudámos de casa, já mudámos as divisôes das casas, apareceram os filhos, mas a "casa" da fotografia continua a ser a nossa casa! Também ela já mudou... mas ainda... e sempre a nossa casa.
Os nossos amigos e família olham com ar alegre, orgulhoso, cúmplice para nós. Aumentámos os amigos, os que nos conhecem, os que nos querem bem, a família... a minha família já é tua e a tua é minha. Temos histórias em comum, partilhadas, vividas e cúmplices numa mistura de famílias e amigos cujo fim e início não interesa, porque são nossas.... para sempre nossas!
E o abraço!... Este abraço que é só um abraço e é O abraço. Todos os sonhos e os desejos do mundo, do nosso mundo, contidos naquele abraço. Tudo o que tinha sido dito e o que não tinha, mas que estava no coração um do outro e que nós sabíamos.
Quantos abraços destes se repetiram... Quanta coisa dita num abraço, que mostra quão sublime é o nosso Amor, num refúgio que acolhe, protege e envolve tornando num só aquilo que instantes antes eram dois!
Sempre e para sempre abraçados!
Tento recuar ao que sentia no momento do abraço e já se torna difícil por terem passado 10 anos. Quanta ingenuidade havia ao achar que tudo ia ser fácil... Não foi. Não tem sido. Mas tem sido imensamente mais arrebatador e mais feliz do que poderia esperar.
Lembro-me do desejo de partilharnos uma casa. O bom que era daí em diante sairmos juntos de casa, tomarmos o pequeno almoço juntos, enroscarmos os pés um no outro à noite, adormecermos abraçados, passarmos a tornar-nos uma só carne. Que bom que tem sido! Imensamente melhor do que a expetativa naquele abraço, que continua a ter a ingenuidade dos abraços que te dou diariamente de não saber o que ainda nos espera, mas de saber que se formos juntos vamos ultrapassar.
Hoje, pergutavam-me: devo dar-te os sentimentos ou os parabéns por estes 10 anos?
Sem hesitar, disse: os parabéns! Claramente os parabéns!
Sou uma pessoa muito mais feliz, muito melhor. Hoje eu sou muito mais eu, por todos os abraços que me tens dado, pelo que tens sido para mim e pelo que me tens levado a ser para ti!
Hoje, uma década depois, volto áquela Igreja e abraço-te porque sei que só no apoio um do outro seremos verdadeiramente felizes! De uma felicidade que não é alegria, mas é o sentir que estou no caminho certo, quando sorrio e quando choro, quando tenho saúde e quando estou doente.
Sempre e para sempre Feliz!
sexta-feira, 10 de agosto de 2018
Santiago - vida normal
Aos gritos das miúdas, ás rotinas normais... a partir de hoje já não há setas amarelas para seguir ( parece tão mais fácil quando é só procurar isso )...
O primeiro padre a quem disse que gostava de fazer o Caminho de Santiago deixou-me cheia de vontade de o fazer com ele... nao foi possível...
Mas se em muitos momentos da minha vida eu sinto a falta dele, das suas palavras... nesta peregrinação senti-o bem presente. Em muitos momentos e também nas palavras.
Trouxe-o comigo!
E ainda bem! Porque esta peregrinação far-me-á ver, entender e viver muitas coisas da minha vida de forma diferente ☺
A caminho - Dia 6
Desde aí ninguém soube que o íamos fazer. Só há muito pouco tempo é que 2 ou 3 pessoas o souberam, por questões logísticas.
À medida em que o tempo ia avançando e fomos aumentando os preparativos para a peregrinação, foi aparecendo o friozinho na barriga. A tentativa de certeza de que todos os pormenores estavam pensados (aqueles que eram necessários), a escolha do que era essencial para se levar e do que era acessório (o que por si só foi já uma descoberta e uma experiência) e tentar que pelo menos o espírito e a alma estavam prontos para o que íamos viver (já que o corpo sabíamos que não).
Queríamos fazer esta peregrinação em 5 dias porque mais o dia de viagem de ida e o dia de viagem de regresso são muitos dias sem vermos os nossos filhos (e para alguém cuidar deles!). E conseguimos, com a graça de Deus.
Se fosse agora faria algumas coisas de forma diferente. Além disso a primeira vez traz sempre o sabor da novidade, a ansiedade da incerteza e a vontade de querer ter a certeza de sermos capazes.
Quando repetimos uma experiência já não temos que provar nada a ninguém (principalmente a nós próprios) e isso permite-nos desfrutar das coisas com outra tranquilidade. Por este motivo, gostaria de repetir esta experiência... um dia. Porque nunca é repetida da mesma forma.
Durante estes dias "sobrevivemos" com pouco. Percebemos que somos capazes de sobreviver com pouco! E isso ajuda-nos a valorizar o muito que temos!!
Todos os sentidos ficam mais sensíveis: a água fresca sabe melhor. Uma salada deslavada, em meio de nenhures, sabe "pela vida". As vistas deslumbram-nos mais e enchem-nos da maravilha da criação. Vemos a alma dos que se cruzam connosco. Cada passo é sentido. E Deus está presente de forma visível.
Ao fazer a viagem de regresso de comboio, passo mais rápido pelas terras onde fico e ganho consciência que sozinho não teria conseguido percorrer este camin8ho, se Deus não me tivesse levado ao colo.
Fica esta sensação de nostalgia e de saudade.
Sei que daqui a uns dias ou semanas baralharei as terras onde estive e os lugares onde me sentei, porque o que ficará (o que sempre fica desta experiências intensas) sâo flashs, momentos de eternidade guardados no mais íntimo de nós: o sabor, uma gargalhada, um sorriso cúmplice, uma vista deslumbrante, uma troca de olhares, as pessoas conhecidas, a sensação de momentos especiais.
Quando falo de Taizé, das jornadas de Roma 2000, Colónia 2005, Madrid 2011, o que vem à memória é esta sensação de felicidade, presença de Deus e momentos de eternidade... como pequenos carimbos na alma que se guardarão para sempre.
O que importa não é ter chegado. É ter feito este caminho, que vejo pela janela do meu comboio!
quinta-feira, 9 de agosto de 2018
A caminho - Dia 5
Mas não. Começámos o dia só com muita humidade e muito frio. Mas é mais fácil de andar assim.
A meio do percurso acontece um fenómeno: faltam 6 kms e tal... e de repente voltam a faltar 7 kms e muito! Desmotiva... mas logo a seguir vemos as torres ao fundo!
Além disso, hoje já mais perto da cidade já havia muito menos setas. Vimos algumas pessoas com quem nos cruzámos.
Até que vimos "os nossos amigos" com quem fizemos parte do percurso ontem!
A alegria deles ao verem-nos é algo engraçado. Acabámos por fazer os últimos kms com eles, que nos ajudaram a chegar à catedral sem nos perdermos (uma vez que não havia setas).
E quantas vezes na vida é assim: pessoas que se cruzam na nossa vida, no nosso caminho, só sabemos o primeiro nome deles. Sabemos que já vieram a Santiago 3 vezes e não sabemos se os voltaremos a ver alguma vez.
Também no caminho da vida vamo-nos cruzando com pessoas que nos ajudam a atingit um objetivo a chegar a um ponto.
Hoje, ao entrar naquela praza, entraram todos aqueles por quem rezei, aqueles que trouxe comigo e que me ajudaram.
Entrou a minha família e entrou a minha querida mulher que mais uma vez provou que é miito mais forte, resistente e corajosa do que ela própria pensa!
Hoje chegámos juntos, porque juntos caminhamos até mais longe!
La Picaraña - Santiago
A questão é que a vontade de chegar é tanta que nem queremos parar, só andar e andar e andar.
A conclusão a que chegámos é que fazer a ultima etapa conforme vem nos guias de Padrón a Santiago é muito muito difícil... e fazê-la antes das 12h para chegar a tempo da missa do peregrino diria que muito mais difícil!
Encontrámos os nossos amigos espanhóis de ontem o Jose e a Gema e acabámos por finalizar o percurso com eles ☺
Foi muito bom!
Posso tirar muitas conclusões do "Camiño" e pensar em várias coisas que não quero esquecer... mas acho que este post ficará sempre inacabado.
Os agradecimentos são sempre para Deus mas claro que não seria possível concretizar este sonho sem o meu querido JP.
Depois não quero esquecer quando de mãos dadas chegámos ao km 0, que conseguimos chegar a tempo da missa, que abraçámos juntos São Tiago, que vivemos isto juntos, que concretizei um sonho e que superámos as dificuldades. Não quero esquecer as pessoas que nos acompanharam e que também tornaram isto possível porque rezaram por nós e as pessoas que se fizeram presentes mandando mensagens ou só a comentar os post's.
O Camiño é muito a nossa vida e tem muito do que vivemos!
Agora ainda vou digerir isto tudo!
quarta-feira, 8 de agosto de 2018
A Caminho - Dia 4
Mas, com os olhos postos no dia de amanhã, o nosso desejo era conseguirmos fazer já um pouquinho da "última" etapa, que se prevê a mais longa. Confiamos os desejos nas mãos de Deus e começamos o dia.
E este foi um dos meus primeiros pensamentos: a importância do planear. Planear não quer dizer fazer tudo como estava previsto, mas ter um plano.
Nós viemos com um plano que foi sendo alterado. Mas isso é dar margem para Deus! :)
Defendo que devemos ter sempre planos e depois, confiar no que nos vai acontecendo.
Hoje vimos também algumas paisagens bonitas e começa já a nostalgia de saber que estamos perto do fim, logo agora que começávamos uma nova rotina.
Começamos a conhecer as pessoas e cruzamo-nos frequentemente com os mesmos... Hoje até falámos um poquito com uns "amigos" novos no caminho.
Mas somos também surpreendidos, com as nossas próprias fraquezas. Quando quase a chegar ao local de almoço ficou a doer-me o pé e não conseguia mais andar!
Depois de almoço e recuperados, lá resolvemos avançar, para nos aproximarmos de Santiago.
Refletimos que, ao contrário do que achávamos não é a mochila que nos vai dificultando o caminho, é o peso de nós próprios!
Muitas vezes é assim, na vida! O peso que trazemos em nós é que nos dificulta o seguir em frente! :)
Mas temos que estar atentos aos que caminham connosco!
Caldas dos Reis - A Picaraña
O meu pe deu-me treguas e fisicamente fizemos uns quantos kms bem.
Pelos guias este troço de hoje seria até Padron e também era o que tínhamos previsto, mas isso implicaria amanhã fazermos 25 km.
Assim sendo, almoçámos em Padron, com uma pausa maior mas seguimos caminho.
Pelo caminho partilhávamos que antes de vir o que mais assustava era pensar no peso da mochila... agora, depois de mais de 100 km ja andados a mochila nao custa nada...
Faltam 14 km... se Deus quiser amanhã chegaremos!
terça-feira, 7 de agosto de 2018
Pontevedra - Caldas de Reis
O dia também se avizinhava menos comprido, no sentido em que "só" tínhamos de andar 20 e tal km.
A dor no pé deu muito poucas tréguas e talvez pela ilusão de serem menos km, descansámos menos.
Quando chegámos ao local onde almoçámos parecia um oásis: a comida óptima, o descanso, a simpatia dos senhores.
Caldas de Reis é muito bonito, tem um local com água quente onde fomos pôr os pés de molho e sendo dia 7 decidimos que hoje dormiríamos num sitio só para nós.
Já andámos mais de metade do caminho... não tem sido facilimo, mas as dificuldades vou ultrapassando como tudo na vida: continua a andar.
Quando tínhamos os pés de molho um espanhol perguntou a outro: Como estay siendo el camiño?
E o outro respondeu: El camiño levia-nos!
É isso que eu sinto... que Alguém me leva! Quando o JP segue a minha frente e eu penso: é só ir atrás dele!
E Deus tem muitas formas subtis de se mostrar e de estar... até em coisas que eu nao tinha pensado como uma Eucaristia, hoje, dia 7, ao final do dia.
É assim: o caminho leva-nos!
A caminho - Dia 3
De manhã passámos por um dos percursos mais bonitos até agora: um bosque com humidade e com vários riachos. Um sítio mesmo fresquinho!
Sendo o dia em que fica mais de metade do percurso feito, isso obriga-me a pensar: o que quero levar desta peregrinação? Para mim não faz sentido ser "só" uma experiência muito bonita e especial... O que vai mudar em mim, com esta experiência?
Hoje a Ritita dizia-me: se viesses sozinho ias mais depressa, não era?
Fiquei a pensar naquilo...
Talvez. Mas não teria a mesma beleza. Não teria com quem o partilhar. Não teria sido vivido pelos dois. Não seria ultrapassado pelos dois!
Mas hoje é também um dia onde já há muito cansaço acumulado.
Às vezes dói o joelho. Depois passa e dói o pé. Depois passa e dói o tornozelo.
Mas o que importa é ir andando. Um passo após o outro, que é diferente de andar sem rumo. Significa caminhar por etapas. Saber que queremos ir até ali e aproveitando o que a vida/o caminho nos vai dando: água, sombra, a possibilidade de descansar,... porque não sabemos o que existe depois da curva!
E tantas lições que tiramos daqui para a vida!...
PS: Hoje o dia foi também especial porque é dia 7... Daqui a um mês celebraremos 10 anos de matrimónio :)
segunda-feira, 6 de agosto de 2018
Porriño - Pontevedra
Acordei com uma dor horrenda no pé esquerdo e tive de pedir a todos os santinhos e aos que nao sao santos e valeu-me o Santo Voltaren para me safar.
Tínhamos pensado dormir em Arcade mas chegámos lá na hora do almoço e por isso decidimos continuar...
Foi o dia em que mais andámos... chegámos ao albergue e eu sinto-me morta...
Vou tomar um banho e esperar que regenere.
Ah e hoje esteve MUITO menos calor!
A Caminho - Dia 2
Durante o dia, quando pensamos se isto faz sentido, pensamos no que aprendemos de perseverança ao fazer este caminho. Por vezes sentimos que não conseguimos mais... mas depois não desistimos e continuamos a avançar!
Hoje deveríamos refletir na nossa missão de pais. E quantas vezes não nos esquecemos de passar esta perseverança para a nossa missão de pais. Quando apetece parar. Quando apetece desistir, o Senhor chama-nos a continuar.
Quando apetece ralhar, quando apetece fugir porque eles não páram de fazer birras ou de chorar, temos que ser mais perseverantes e pacientes.
Este caminho recorda-nos a paciência. O saber esperar.
Recorda-nos que podemos ser pessoas melhores. Que conseguimos chegar mais longe.
Um passo após o outro. Às vezes dói, às vezes custa, mas continuamos a caminhar.
Custa ficar longe deles durante estes dias, mas acreditamos que vamos voltar uns pais melhores!
domingo, 5 de agosto de 2018
A caminho - Dia 1
Para mim, qualquer viagem, qualquer partida começa com a preparação.
A Ritita ficou com a parte prática, humana, a parte de "Marta".
Eu fiquei com a parte espiritual, a alma, a parte de "Maria".
Hoje reflectíamos sobre o motivo de querermos vir.
Vir, a pé, em casal, a Santiago, implica escolher o essencial, implica acertar o passo. Parar quando apetece andar, porque o outro precisa. Estar atento. Aceitar o imprevisto. Aceitar as contrariedades.
Vir juntos significa que os vamos chegar os dois ao mesmo tempo, ou não vai chegar nenhum.
Não é isso, o matrimónio? :)
E é saber que amanhã já faltam menos de 100 kms!
De Valença a Porriño
Começámos bem, indo à missa mas por isso também começámos mais tarde do que queríamos.
Ainda assim o Camiño tem aquele lado especial de toda a gente nos cumprimentar e ajudar.
Cruzámo-nos com uns portugueses ( que já caminham há 5 dias) e ora passavam eles, ora nós.
O pior do dia foi o calor... passar a parte do Poligono Industrial de Porriño de baixo de um sol abrasador foi pessimo!
O JP que ao andar parece estar sempre fresco e fofo foi maravilhoso comigo, como sempre.
Chegámos ao albergue a rezar para que houvesse lugar e havia! Não há bolhas, para já... há um dia cheio, quente e com a sensação de: primeira ja está!
sábado, 4 de agosto de 2018
A Caminho (JP)
A caminho!
Num dos dias, partilhámos que nos nossos 10 anos de casados podíamos ir juntos peregrinar a pé.... só os dois!
Ficámos a rezar o assunto, a ir preparando, a ir lendo sobre...
Hoje, com nervoso miudinho, estamos quase a caminho... rezamos juntos, caminhamos juntos e colocamos nas mãos de Deus 10 anos e todos os que Ele quiser!
quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018
Hoje...
This is us - "O" episódio
Hoje em dia vejo pouquíssima televisão. Mas o "This is us"...
Ao acompanharmos a série podemos ver os filhos em idade adulta e conseguimos vislumbrar a influência do Jack e as consequências da ausência do Jack em grande parte da vida deles.
terça-feira, 1 de agosto de 2017
Quem acompanha!
No sabado, depois do casamento, apanhamos um pequeno susto com a Mafy.
Deitamo-nos sossegadinhos e passado uma hora acordei com a Mafy com uma tosse horrivel e cheia de falta de ar.
Liguei para a linha de saude 24 e aconselharam a ir a urgencia. O hospital mais proximo era o hospital de Setubal e do sitio onde estavamos demorava-se uma hora a chegar.
Assim sendo, la foi o JP com ela dado que eu para todo o lado onde vou tenho um apendice. E surge uma boa questao: quem deve acompanhar as criaturas ao medico? O pai ou a mae?
Ca em casa, quem tem esse papel normalmente sou eu, mas se eu tiver alguma coisa que nao possa adiar ou se der mais jeito ir o pai nao me importo nada. Pelo contrario, que o JP pergunta sempre os pormenores todos e tem sempre interesse em ver de onde vem as coisas e isso tudo.
Mas é mais normal ser a mae a acompanhar as criancas as consultas.
Entretanto a Mafy teve uma laringite, fez aerossol, voltou para casa e ficou bem!





















