Mostrar mensagens com a etiqueta dois M's. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta dois M's. Mostrar todas as mensagens

sábado, 8 de setembro de 2018

1 década!

São tantos ao ponto de voltarem a ser um só.
São 10 anos que é já 1 década!
Páro e penso que não tenho idade para estar casado há 10 anos, mas depois lembro-me desta fotografia e lembro-me de tudo o que já vivemos nestes 10 anos....

Ao longo destes 10 anos, houve tantos dias em que pensei nesta foto.
Já mudámos de casa, já mudámos as divisôes das casas, apareceram os filhos, mas a "casa" da fotografia continua a ser a nossa casa! Também ela já mudou... mas ainda... e sempre a nossa casa.

Os nossos amigos e família olham com ar alegre, orgulhoso, cúmplice para nós. Aumentámos os amigos, os que nos conhecem, os que nos querem bem, a família... a minha família já é tua e a tua é minha. Temos histórias em comum, partilhadas, vividas e cúmplices numa mistura de famílias e amigos cujo fim e início não interesa, porque são nossas.... para sempre nossas!

E o abraço!... Este abraço que é só um abraço e é O abraço. Todos os sonhos e os desejos do mundo, do nosso mundo, contidos naquele abraço. Tudo o que tinha sido dito e o que não tinha, mas que estava no coração um do outro e que nós sabíamos.
Quantos abraços destes se repetiram... Quanta coisa dita num abraço, que mostra quão sublime é o nosso Amor, num refúgio que acolhe, protege e envolve tornando num só aquilo que instantes antes eram dois!
Sempre e para sempre abraçados!

Tento recuar ao que sentia no momento do abraço e já se torna difícil por terem passado 10 anos. Quanta ingenuidade havia ao achar que tudo ia ser fácil... Não foi. Não tem sido. Mas tem sido imensamente mais arrebatador e mais feliz do que poderia esperar.

Lembro-me do desejo de partilharnos uma casa. O bom que era daí em diante sairmos juntos de casa, tomarmos o pequeno almoço juntos, enroscarmos os pés um no outro à noite, adormecermos abraçados, passarmos a tornar-nos uma só carne. Que bom que tem sido! Imensamente melhor do que a expetativa naquele abraço, que continua a ter a ingenuidade dos abraços que te dou diariamente de não saber o que ainda nos espera, mas de saber que se formos juntos vamos ultrapassar.

Hoje, pergutavam-me: devo dar-te os sentimentos ou os parabéns por estes 10 anos?

Sem hesitar, disse: os parabéns! Claramente os parabéns!

Sou uma pessoa muito mais feliz, muito melhor. Hoje eu sou muito mais eu, por todos os abraços que me tens dado, pelo que tens sido para mim e pelo que me tens levado a ser para ti!

Hoje, uma década depois, volto áquela Igreja e abraço-te porque sei que só no apoio um do outro seremos verdadeiramente felizes! De uma felicidade que não é alegria, mas é o sentir que estou no caminho certo, quando sorrio e quando choro, quando tenho saúde e quando estou doente.
Sempre e para sempre Feliz!

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Santiago - vida normal

Hoje regressamos à vida normal!

Aos gritos das miúdas, ás rotinas normais... a partir de hoje já não há setas amarelas para seguir ( parece tão mais fácil quando é só procurar isso )...

O primeiro padre a quem disse que gostava de fazer o Caminho de Santiago deixou-me cheia de vontade de o fazer com ele... nao foi possível...

Mas se em muitos momentos da minha vida eu sinto a falta dele, das suas palavras... nesta peregrinação senti-o bem presente. Em muitos momentos e também nas palavras.

Trouxe-o comigo!

E ainda bem! Porque esta peregrinação far-me-á ver, entender e viver muitas coisas da minha vida de forma diferente ☺


A caminho - Dia 6

Como já dissemos, este desejo começou a germinar em nós, mais ou menos, há um ano!
Desde aí ninguém soube que o íamos fazer. Só há muito pouco tempo é que 2 ou 3 pessoas o souberam, por questões logísticas.

À medida em que o tempo ia avançando e fomos aumentando os preparativos para a peregrinação, foi aparecendo o friozinho na barriga. A tentativa de certeza de que todos os pormenores estavam pensados (aqueles que eram necessários), a escolha do que era essencial para se levar e do que era acessório (o que por si só foi já uma descoberta e uma experiência) e tentar que pelo menos o espírito e a alma estavam prontos para o que íamos viver (já que o corpo sabíamos que não).

Queríamos fazer esta peregrinação em 5 dias porque mais o dia de viagem de ida e o dia de viagem de regresso são muitos dias sem vermos os nossos filhos (e para alguém cuidar deles!). E conseguimos, com a graça de Deus.

Se fosse agora faria algumas coisas de forma diferente. Além disso a primeira vez traz sempre o sabor da novidade, a ansiedade da incerteza e a vontade de querer ter a certeza de sermos capazes.
Quando repetimos uma experiência já não temos que provar nada a ninguém (principalmente a nós próprios) e isso permite-nos desfrutar das coisas com outra tranquilidade. Por este motivo, gostaria de repetir esta experiência... um dia. Porque nunca é repetida da mesma forma.

Durante estes dias "sobrevivemos" com pouco. Percebemos que somos capazes de sobreviver com pouco! E isso ajuda-nos a valorizar o muito que temos!!
Todos os sentidos ficam mais sensíveis: a água fresca sabe melhor. Uma salada deslavada, em meio de nenhures, sabe "pela vida". As vistas deslumbram-nos mais e enchem-nos da maravilha da criação. Vemos a alma dos que se cruzam connosco. Cada passo é sentido. E Deus está presente de forma visível.

Ao fazer a viagem de regresso de comboio, passo mais rápido pelas terras onde fico e ganho consciência que sozinho não teria conseguido percorrer este camin8ho, se Deus não me tivesse levado ao colo.
Fica esta sensação de nostalgia e de saudade.
Sei que daqui a uns dias ou semanas baralharei as terras onde estive e os lugares onde me sentei, porque o que ficará (o que sempre fica desta experiências intensas) sâo flashs, momentos de eternidade guardados no mais íntimo de nós: o sabor, uma gargalhada, um sorriso cúmplice, uma vista deslumbrante, uma troca de olhares, as pessoas conhecidas, a sensação de momentos especiais.
Quando falo de Taizé, das jornadas de Roma 2000, Colónia 2005, Madrid 2011, o que vem à memória é esta sensação de felicidade, presença de Deus e momentos de eternidade... como pequenos carimbos na alma que se guardarão para sempre.

O que importa não é ter chegado. É ter feito este caminho, que vejo pela janela do meu comboio!

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

A caminho - Dia 5

Ontem, por esta hora, o dia estava muito mais fechado e começou a chover! E choveu tanto durante a noite que ainda tememos que chovesse de dia.

Mas não. Começámos o dia só com muita humidade e muito frio. Mas é mais fácil de andar assim.
A meio do percurso acontece um fenómeno: faltam 6 kms e tal... e de repente voltam a faltar 7 kms e muito! Desmotiva... mas logo a seguir vemos as torres ao fundo!

Além disso, hoje já mais perto da cidade já havia muito menos setas. Vimos algumas pessoas com quem nos cruzámos.
Até que vimos "os nossos amigos" com quem fizemos parte do percurso ontem!
A alegria deles ao verem-nos é algo engraçado. Acabámos por fazer os últimos kms com eles, que nos ajudaram a chegar à catedral sem nos perdermos (uma vez que não havia setas).
E quantas vezes na vida é assim: pessoas que se cruzam na nossa vida, no nosso caminho, só sabemos o primeiro nome deles. Sabemos que já vieram a Santiago 3 vezes e não sabemos se os voltaremos a ver alguma vez.

Também no caminho da vida vamo-nos cruzando com pessoas que nos ajudam a atingit um objetivo a chegar a um ponto.
Hoje, ao entrar naquela praza, entraram todos aqueles por quem rezei, aqueles que trouxe comigo e que me ajudaram.
Entrou a minha família e entrou a minha querida mulher que mais uma vez provou que é miito mais forte, resistente e corajosa do que ela própria pensa!

Hoje chegámos juntos, porque juntos caminhamos até mais longe!



La Picaraña - Santiago

Ora pelas placas faltavam 14,5 km para quem já andou cento e tal é um pulinho ☺

A questão é que a vontade de chegar é tanta que nem queremos parar, só andar e andar e andar.

A conclusão a que chegámos é que fazer a ultima etapa conforme vem nos guias de Padrón a Santiago é muito muito difícil... e fazê-la antes das 12h para chegar a tempo da missa do peregrino diria que muito mais difícil!

Encontrámos os nossos amigos espanhóis de ontem o Jose e a Gema e acabámos por finalizar o percurso com eles ☺

Foi muito bom!

Posso tirar muitas conclusões do "Camiño" e pensar em várias coisas que não quero esquecer... mas acho que este post ficará sempre inacabado.

Os agradecimentos são sempre para Deus mas claro que não seria possível concretizar este sonho sem o meu querido JP.

Depois não quero esquecer quando de mãos dadas chegámos ao km 0, que conseguimos chegar a tempo da missa, que abraçámos juntos São Tiago, que vivemos isto juntos, que concretizei um sonho e que superámos as dificuldades. Não quero esquecer as pessoas que nos acompanharam e que também tornaram isto possível porque rezaram por nós e as pessoas que se fizeram presentes mandando mensagens ou só a comentar os post's.

O Camiño é muito a nossa vida e tem muito do que vivemos!

Agora ainda vou digerir isto tudo!




Chegámos!


quarta-feira, 8 de agosto de 2018

A Caminho - Dia 4

A etapa prometia ser mais curta do que a de ontem.
Mas, com os olhos postos no dia de amanhã, o nosso desejo era conseguirmos fazer já um pouquinho da "última" etapa, que se prevê a mais longa. Confiamos os desejos nas mãos de Deus e começamos o dia.
E este foi um dos meus primeiros pensamentos: a importância do planear. Planear não quer dizer fazer tudo como estava previsto, mas ter um plano.
Nós viemos com um plano que foi sendo alterado. Mas isso é dar margem para Deus! :)
Defendo que devemos ter sempre planos e depois, confiar no que nos vai acontecendo.

Hoje vimos também algumas paisagens bonitas e começa já a nostalgia de saber que estamos perto do fim, logo agora que começávamos uma nova rotina.

Começamos a conhecer as pessoas e cruzamo-nos frequentemente com os mesmos... Hoje até falámos um poquito com uns "amigos" novos no caminho.
Mas somos também surpreendidos, com as nossas próprias fraquezas. Quando quase a chegar ao local de almoço ficou a doer-me o pé e não conseguia mais andar!

Depois de almoço e recuperados, lá resolvemos avançar, para nos aproximarmos de Santiago.
Refletimos que, ao contrário do que achávamos não é a mochila que nos vai dificultando o caminho, é o peso de nós próprios!
Muitas vezes é assim, na vida! O peso que trazemos em nós é que nos dificulta o seguir em frente! :)
Mas temos que estar atentos aos que caminham connosco!




Caldas dos Reis - A Picaraña

Depois de uma noite bem dormida, pequeno almoco na cama ( tínhamos comprado à noite) e café bebido, arrancámos cheios de genica.

O meu pe deu-me treguas e fisicamente fizemos uns quantos kms bem.

Pelos guias este troço de hoje seria até Padron e também era o que tínhamos previsto, mas isso implicaria amanhã fazermos 25 km.

Assim sendo, almoçámos em Padron, com uma pausa maior mas seguimos caminho.

Pelo caminho partilhávamos que antes de vir o que mais assustava era pensar no peso da mochila... agora, depois de mais de 100 km ja andados a mochila nao custa nada...

Faltam 14 km... se Deus quiser amanhã chegaremos!




terça-feira, 7 de agosto de 2018

Pontevedra - Caldas de Reis

O dia começou cedo novamente, depois de uma noite melhor dormida e menos calorenta.

O dia também se avizinhava menos comprido, no sentido em que "só" tínhamos de andar 20 e tal km.

A dor no pé deu muito poucas tréguas e talvez pela ilusão de serem menos km, descansámos menos.

Quando chegámos ao local onde almoçámos parecia um oásis: a comida óptima, o descanso, a simpatia dos senhores.

Caldas de Reis é muito bonito, tem um local com água quente onde fomos pôr os pés de molho e sendo dia 7 decidimos que hoje dormiríamos num sitio só para nós.

Já andámos mais de metade do caminho... não tem sido facilimo, mas as dificuldades vou ultrapassando como tudo na vida: continua a andar.

Quando tínhamos os pés de molho um espanhol perguntou a outro: Como estay siendo el camiño?

E o outro respondeu: El camiño levia-nos!

É isso que eu sinto... que Alguém me leva! Quando o JP segue a minha frente e eu penso: é só ir atrás dele!

E Deus tem muitas formas subtis de se mostrar e de estar... até em coisas que eu nao tinha pensado como uma Eucaristia, hoje, dia 7, ao final do dia.

É assim: o caminho leva-nos!




A caminho - Dia 3

Hoje optámos por "cumprir" com a etapa proposta. Ainda assim é uma jornada exigente, em termos de kms percorridos (não de subidas) e com o cansaço acumulado, ainda mais difícil...

De manhã passámos por um dos percursos mais bonitos até agora: um bosque com humidade e com vários riachos. Um sítio mesmo fresquinho!

Sendo o dia em que fica mais de metade do percurso feito, isso obriga-me a pensar: o que quero levar desta peregrinação? Para mim não faz sentido ser "só" uma experiência muito bonita e especial... O que vai mudar em mim, com esta experiência?

Hoje a Ritita dizia-me: se viesses sozinho ias mais depressa, não era?
Fiquei a pensar naquilo...
Talvez. Mas não teria a mesma beleza. Não teria com quem o partilhar. Não teria sido vivido pelos dois. Não seria ultrapassado pelos dois!

Mas hoje é também um dia onde já há muito cansaço acumulado.
Às vezes dói o joelho. Depois passa e dói o pé. Depois passa e dói o tornozelo.
Mas o que importa é ir andando. Um passo após o outro, que é diferente de andar sem rumo. Significa caminhar por etapas. Saber que queremos ir até ali e aproveitando o que a vida/o caminho nos vai dando: água, sombra, a possibilidade de descansar,... porque não sabemos o que existe depois da curva!
E tantas lições que tiramos daqui para a vida!...


PS: Hoje o dia foi também especial porque é dia 7... Daqui a um mês celebraremos 10 anos de matrimónio :)

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Porriño - Pontevedra

Dia loooooonnnngooooo!!!

Acordei com uma dor horrenda no pé esquerdo e tive de pedir a todos os santinhos e aos que nao sao santos e valeu-me o Santo Voltaren para me safar.

Tínhamos pensado dormir em Arcade mas chegámos lá na hora do almoço e por isso decidimos continuar...

Foi o dia em que mais andámos... chegámos ao albergue e eu sinto-me morta...

Vou tomar um banho e esperar que regenere.

Ah e hoje esteve MUITO menos calor!


A Caminho - Dia 2

Hoje resolvemos fazer uma loucura... o troço "padrão" do dia era dos mais pequenos e decidimos que iríamos fazer mais um pouco do troço do dia seguinte... mas acabámos por fazê-lo todo. Foram mais de 30 kms. Mais de 10 horas a andar.

Durante o dia, quando pensamos se isto faz sentido, pensamos no que aprendemos de perseverança ao fazer este caminho. Por vezes sentimos que não conseguimos mais... mas depois não desistimos e continuamos a avançar!

Hoje deveríamos refletir na nossa missão de pais. E quantas vezes não nos esquecemos de passar esta perseverança para a nossa missão de pais. Quando apetece parar. Quando apetece desistir, o Senhor chama-nos a continuar.
Quando apetece ralhar, quando apetece fugir porque eles não páram de fazer birras ou de chorar, temos que ser mais perseverantes e pacientes.

Este caminho recorda-nos a paciência. O saber esperar.
Recorda-nos que podemos ser pessoas melhores. Que conseguimos chegar mais longe.
Um passo após o outro. Às vezes dói, às vezes custa, mas continuamos a caminhar.

Custa ficar longe deles durante estes dias, mas acreditamos que vamos voltar uns pais melhores!


domingo, 5 de agosto de 2018

A caminho - Dia 1

Não estamos só a caminhar. Estamos a peregrinar.
Para mim, qualquer viagem, qualquer partida começa com a preparação.
A Ritita ficou com a parte prática, humana, a parte de "Marta".
Eu fiquei com a parte espiritual, a alma, a parte de "Maria".

Hoje reflectíamos sobre o motivo de querermos vir.
Vir, a pé, em casal, a Santiago, implica escolher o essencial, implica acertar o passo. Parar quando apetece andar, porque o outro precisa. Estar atento. Aceitar o imprevisto. Aceitar as contrariedades.
Vir juntos significa que os vamos chegar os dois ao mesmo tempo, ou não vai chegar nenhum.
Não é isso, o matrimónio? :)

E é saber que amanhã já faltam menos de 100 kms!

De Valença a Porriño

Não consigo falar muito de pormenores técnicos nem nada disso e tendo em conta que foi o primeiro dia...

Começámos bem, indo à missa mas por isso também começámos mais tarde do que queríamos.

Ainda assim o Camiño tem aquele lado especial de toda a gente nos cumprimentar e ajudar.

Cruzámo-nos com uns portugueses ( que já caminham há 5 dias) e ora passavam eles, ora nós.

O pior do dia foi o calor... passar a parte do Poligono Industrial de Porriño de baixo de um sol abrasador foi pessimo!

O JP que ao andar parece estar sempre fresco e fofo foi maravilhoso comigo, como sempre.

Chegámos ao albergue a rezar para que houvesse lugar e havia! Não há bolhas, para já... há um dia cheio, quente e com a sensação de: primeira ja está!


sábado, 4 de agosto de 2018

A Caminho (JP)

Há 10 anos, cerca de 1 mês antes de iniciarmos a maior caminhada da nossa vida, estávamos a preparar as nossas “mochilas”.
Lá dentro só algumas peças de roupa, os nossos livros e todos os espaços vazios ocupados por muitos sonhos e pela vontade de querer caminhar, em conjunto e com a bênção de Deus.
Passaram-se 10 anos e as nossas mochilas ficaram cheias.
De coisas valiosas, de “bibelots”, de “tralha”, de “lixo”, de riquezas, de memórias, de risos,…
Há sonhos que já foram atingidos. Percebemos que há sonhos que não eram realizáveis. Mas há sonhos ainda por alcançar.


Passaram-se 10 anos e as mochilas ficaram cheias.
Mas às vezes é preciso voltarmos à origem. Deixar tudo para trás e voltar ao básico, sem “tralha”, sem “lixo”: uma mochila pequena, com algumas peças de roupa, livros e os nossos sonhos.
Voltar à origem e à vontade simples de caminhar.
Só os dois e Deus.
Numa redescoberta interior do que este Caminho nos traz diariamente e daquilo que queremos encontrar.
No sentido do que este caminho a dois representa: a incerteza, a dor, a dúvida, a abnegação, a surpresa, a partilha, mas sempre, as mãos dadas.
A vontade de querer fazer encontro e de encontrar aquilo que não se sabia que se andava à procura.
E ter a certeza que este encontro se faz essencialmente não à chegada… mas durante o caminho percorrido.
É que o segredo para a felicidade não é chegar lá. É ter feito esse Caminho!
Caminhemos, então… os dois… de mãos dadas.
Com uma mochila cheia de sonhos!

JP

A caminho!

Há um ano a trás, durante as férias de Verão, eu e o JP todos os dias fazíamos uma caminhada!

Num dos dias, partilhámos que nos nossos 10 anos de casados podíamos ir juntos peregrinar a pé.... só os dois!

Ficámos a rezar o assunto, a ir preparando,  a ir lendo sobre...

Hoje, com nervoso miudinho, estamos quase a caminho... rezamos juntos, caminhamos juntos e colocamos nas mãos de Deus 10 anos e todos os que Ele quiser!


quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Hoje...

Vemos o This is us desde o inicio :) naquela ânsia de esperar que chegue 5ª feira à noite, mas hoje... hoje é diferente.

Por um lado, quero que chegue... por outro, não quero!

Ao contrário do JP que se identifica com o pai, eu não me identifico assim tanto com a mãe :) Percebo imensas coisas que ela faz e como lida com as situações, mas gosto de olhar para a família deles como um todo... em que cada um teve o seu papel, até que houve ali um que faltou!

Eu não consigo imaginar a minha vida, a minha família, sem sermos nós todos... E isso é o que me "assusta" mais nesta perda que vamos viver.

O Jack vai fazer uma falta imensa, apesar de eu saber que ele como personagem vai continuar a existir. Toda a história vai continuar a ser feita das lembranças deles e das vivências deles...

No outro dia o Randall disse ao Kevin uma coisa que me marcou muito, quando disse que já tinham vivido mais tempo sem o pai do que com ele, mas é tão brutal a alteração que a ausência dele provocou nas suas vidas que ele ficará para sempre.

Os momentos mais felizes serão também os mais tristes porque ele não está lá... e a nossa forma de ver a série, numa solidariedade e empatia imensa com eles é de desejar que nunca passemos por algo assim. Apesar de sabermos que não está nas nossas mãos e que haverá casos perto de nós que terão essa falha na família...

É assim o This is us!




This is us - "O" episódio


Hoje à noite dá o episódio mais esperado, mas o menos desejado…
Não me lembro de nenhuma série me ter prendido assim tanto, nem na adolescência.
Hoje em dia vejo pouquíssima televisão. Mas o "This is us"...
Não sou o que pode ser considerado um “viciado” em séries, mas já houve algumas que eu gostava de ver e que acompanhava.
Mas o This is us, nesta idade, é diferente…

Isto é, efetivamente a nossa vida!

No meu caso ajudou-me a confrontar com uma realidade: o meu envelhecimento. Apercebi-me que a minha identificação é com o Jack (o pai da série!). Não é a versão de filho, mas sim "o pai de família"! Estou crescido! E ao ver a série dou por mim a transpor a minha vida para a do Jack: a dificuldade de educar, o querer dar atenção a todos os filhos, lidar com as desilusões deles, com as nossas, com as da mulher. Estar atento à mulher. Ser bom marido. Ser bom profissional. Ser bom pai. Ser boa pessoa. Adiar sonhos e projetos. Encontrar-se a si próprio. Lidar com as suas crises. Lidar com os seus fantasmas. Estar atento aos outros.

O Jack é magistralmente perfeito na sua imperfeição.
E eu dou por mim a querer ser igual a ele.
O Jack tem fraquezas. O Jack tem vícios. O Jack falha.

Mas o Jack é optimista. O Jack é humilde. O Jack é apaixonado pela vida, pela família e, essencialmente, pela mulher.

É desta paixão que lhe vem a força para a vida. E cada vez que o Jack falha nós sofremos com ele.

Ao acompanharmos a série podemos ver os filhos em idade adulta e conseguimos vislumbrar a influência do Jack e as consequências da ausência do Jack em grande parte da vida deles.

Como teria sido diferente se o Jack tivesse vivido e tivesse podido acompanhar o seu crescimento mais tempo e dar-lhes conselhos?


Esta noite o Jack vai morrer.

E com esta morte confrontamo-nos com a vida não ser como a sonhamos, como a planeamos.

Constatamos que não temos a vida – nem nada – nas nossas mãos. Hoje vamos assistir como é que um incidente (que aconteceu há 20 anos atrás) provocou uma curva e uma alteração vertiginosa no rumo das vidas de várias pessoas, com consequências ainda hoje.

É ficção. Não é verdade. Mas há tantas vidas assim.

As nossas vidas são assim: com acontecimentos inesperados que nos marcam e moldam, inevitavelmente para a vida inteira.

Hoje o Jack vai morrer.

Hoje, um bocadinho daquela família vai morrer.

E eu vou sentir como se também eu morresse um bocadinho, porque nem sempre conseguimos alcançar todos os sonhos, porque a vida é curta e muitas vezes adiamos esses sonhos!

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Quem acompanha!

No sabado, depois do casamento, apanhamos um pequeno susto com a Mafy.

Deitamo-nos sossegadinhos e passado uma hora acordei com a Mafy com uma tosse horrivel e cheia de falta de ar.

Liguei para a linha de saude 24 e aconselharam a ir a urgencia. O hospital mais proximo era o hospital de Setubal e do sitio onde estavamos demorava-se uma hora a chegar.

Assim sendo, la foi o JP com ela dado que eu para todo o lado onde vou tenho um apendice. E surge uma boa questao: quem deve acompanhar as criaturas ao medico? O pai ou a mae?

Ca em casa, quem tem esse papel normalmente sou eu, mas se eu tiver alguma coisa que nao possa adiar ou se der mais jeito ir o pai nao me importo nada. Pelo contrario, que o JP pergunta sempre os pormenores todos e tem sempre interesse em ver de onde vem as coisas e isso tudo.

Mas é mais normal ser a mae a acompanhar as criancas as consultas.

Entretanto a Mafy teve uma laringite, fez aerossol, voltou para casa e ficou bem!

terça-feira, 25 de julho de 2017

Licença de paternidade!

Defendo a importância que pai e mãe têm para a educação de um filho.
E, para mim, esse papel na educação, começa quando são pequenos, logo nos primeiros dias de vida.
Sempre quis assistir aos partos, sempre quis estar presente nos primeiros dias e nas primeiras semanas de vida dos meus filhos.
Tal como a mãe já disse, a quantidade de dias que fui gozando divergiu de filho para filho, pela legislação da altura e pela época do ano em que estamos.

Para mim, uma das coisas mais importantes que existem nestes dias em que estamos em casa é de ajudarmos as mães a encontrar o seu papel de ser mãe. Quer queiramos quer não, nesta fase, o principal papel que muda é sempre o de mãe! Ou porque o passa a ser, ou porque deixa de ser de um só filho, etc, etc.
Por isso, em primeiro lugar, para mim, sinto que me compete estar na retaguarda, atento ao que é preciso.

Assim, quando nasceu a primeira filha, o papel foi muito "maior" com essa filha que acabou de nascer: a mãe dá de mamar, o pai põe a arrotar; o pai dá o banho e a mãe fica a ver; ficamos os dois a babar para cima do bebé.
Quando nascer o 2º, senti que o meu papel nessa área ficou mais reduzido. E concentrei-me em dar atenção à mais velha. Garantir que sentia o menos possível. Com uma visão de "fora" ver quando é que a mãe lhe devia dar atenção e dizer: hoje vais tu dar banho à mais velha e eu fico com o bebé. 
E à medida em que eles vão nascendo (tipo cogumelos!) sinto que, nesta primeira fase em que o bebé que chega é altamente dependente da mãe, o meu papel passa por equilibrar "as contas com os mais velhos". Aliás, como já disse outra vez, uma coisa fenomenal que acontece é, de noite, na maior parte das vezes eu só acordar com as mais velhas e a mãe só acordar com o bebé.
Além disso, por saber que o desgaste da mãe vai ser maior quando eu voltar a trabalhar, tento aliviar um pouco nessa fase em que estou em casa, ficando mais vezes com ele: a aturar birras e choro, porque sei que daí a uns dias, não vai haver outro colo para ele poder ir.

Por fim, outra questão essencial nestes dias que o pai e a mãe estão em casa é o de namorar! Conversar muito. Aproveitar quando o bebé está a dormir para falar. Aproveitar para almoçar juntos. Para passear (dentro da possibilidade da mãe e do bebé). Aproveitar essa fase para nos encontrarmos os dois, porque depois com o regresso ao trabalho primeiro de um e depois de outro e ao encontrarmo-nos só ao final do dia, com 3 crianças carentes de atenção, um bebé com cólicas e vontade de mamar, casa para arrumar, roupa para lavar e loiça para pôr em ordem, fica menos tempo disponível para nos encontrarmos como casal. Por isso, é importante encontrarmo-nos agora.
E sentimos que o temos feito muito bem!

Depois de tudo isto, há ainda uma quesito fulcral: é que, apesar de tudo (os momentos maus, os stresses, as dificuldades, os dias de fugir...) quer eu, quer a mãe gostamos muito do que fazemos! 
Assim, apesar de sairmos da preguiça de casa, não é assim tão mau voltar a trabalhar: porque podemos marcar a diferença onde estamos. Cumprir com a nossa parte para a construção da sociedade e isso também nos deixa felizes!