Durante anos neste dia acordava e lembrava-me sempre que era o dia em que tinha morrido um amigo.
Acordava com aquele peso da tristeza e a pensar várias vezes que já não me lembrava tantas vezes dele, que já não pensava tantas vezes nas nossas parvoíces, nas nossas gargalhadas.
Depois o nosso cérebro vai associando que ele morreu no dia em que não sei quem fazia anos...
E hoje, aconteceu-me que só me lembrei que dia é porque o facebook me lembrou que alguém faz anos e então a ideia de... hoje é 23 de maio!
E sorri...
Sorri porque ao acordar não acordei com o peso de algo mau, mas de algo resolvido de certeza e embora as saudades ainda se façam sentir, sei que ao fim de anos (já perdi a conta a quantos porque deixei de os contar) tenho presente ainda o sorriso desse meu amigo .
Tenho a certeza que poderei lembrar-me dele como alguém muito bom que passou pela minha vida, de quem acho que terei saudades e que pensarei muitas vezes (não sei bem porque motivos, nem porquê) mas que na vida, mesmo a morte tem solução... Não está é nas nossas mãos a sua resolução!
E parabéns às muitas pessoas queridas que fazem anos hoje! :)
Faz hoje uma semana que morreu o Padre Ricardo. Nas conversas de amigos, de gente que é paroquiana do Estoril, fala-se de outras coisas, mas a morte dele surge sempre. Nas duas missas a que fui (5ªf e 6ªf) a Igreja da Boa Nova estava cheia, a deitar por fora. Muitas centenas de pessoas daqui, mas também de outros sítios; muitas dezenas de padres, diáconos, acólitos, quatro bispos, o Cardeal Patriarca. O elencar aparentemente estatístico das pessoas obedece a um critério - não o da importância da pessoa que morreu, mas das tantas e tantas pessoas que ele tocou durante as suas funções no seminário, em Santo António do Estoril, em tantos casais e em tantas famílias. Mas também da forma como morreu - uma brutalidade num homem bom, com 42 anos.
O Padre Ricardo não tinha importância institucional. Actualmente seria fundamentalmente prior de uma paróquia, com uma ou outra função. A multidão que lhe fez companhia nas duas missas de corpo presente não seguiu uma personalidade relevante a nível nacional, um pensador com créditos firmados publicamente, um candidato a qualquer coisa ou alguém que já foi qualquer coisa. As pessoas seguiram o homem Padre Ricardo Neves - o homem que dava abraços como se não nos visse há anos, que nos conhecia pelo nome, que nos identificava a história, que nos desafiava com compaixão e amor firme até às lágrimas; o homem que ria, que fazia caretas, que nos dizia uma graça provocadora e que se ria das que lhe dirigíamos; o homem que tinha uma fé inquebrantável e uma agenda de loucos.
À minha volta vi vários homens comovidos. Gente feita e direita, de barba rija, alguns com a sua dose de estragos e dramas. Para cada um destes, para cada um de nós - para mim - não morreu o prior: morreu o homem que me ouviu, que me falou, que me ensinou, talvez que comigo tenha aprendido um módico de coisa nenhuma, que me fez perguntas cujo alcance só percebi mais tarde, que preferiu a compaixão ao cumprimento estrito de um regra seca e, sei lá eu, de uma quase desumanidade árida. Não morreu, de facto, o prior: morreu o Padre Ricardo que existia em cada um de nós, que vivia com cada um de nós.
Com o desaparecimento do Padre Ricardo desaparece mais do que um interlocutor: desaparece quem me conhecia a alma e os dramas, os desejos e as alegrias; desaparece o homem mais pequeno a quem abracei forte e comovidamente depois de lhe desnudar tantas e tantas vezes a minha vida. Com o desaparecimento dele não acaba o meu mundo, mas fecha-se um ciclo na minha vida de paroquiano de Santo António do Estoril. Ainda não sei o que isso quer dizer, pelo que talvez volte ao tema.
Faço parte de um grupo no facebook que todos os dias 6 relembra que o Pe. Ricardo morreu...
Tenho imensas saudades dele e nos últimos tempos ele fez-me tanta tanta falta que as saudades chegaram mesmo a doer. Consola-me saber que não sou a única... :)
Se em tempos tenho a certeza de que ele andava a mexer uns cordelinhos lá onde está, agora tenho a certeza que andará tresloucado com vontade de vir cá a baixo dar uns puxões de orelhas.
Também já comemorei este aniversário da melhor maneira que sei e sei que ele gostaria: fui à missa!
Já chorei de saudades e choro muitas vezes...
Lembro muitas vezes conversas daquelas que não vou querer esquecer. Já lhe pedi ajuda...
Ainda não consigo falar dele sem ficar com a voz embargada... ainda não apaguei o seu numero de telemóvel... nem a ultima conversa do whatsApp... já vi a campa no cemitério, mas ainda não me conformei...
Há-de chegar o dia... não há nada que o tempo não cure...
Até lá, Parabéns querido Pe. Ricardo! Morro de saudades suas (foi esta a ultima frase que lhe escrevi)
Igualmente respondeu-me ele...
Tive um sonho e quando acordei
Viajei no tempo e desejei
entregar-Te a vida,
Estender a taça toda a transbordar, cantei! Ir mais além, subindo as estrelas do céu Descendo ao fundo da Terra só Contigo eu vou, Embalado nos Teus passos vou, Abandonado em teus abraços sou, Aprendiz de viajante e até me perco em Ti.
Deixei-Te à porta mas quando voltei
Vi que esperavas e desejei entregar-Te a vida,
Estender a taça toda a transbordar, cantei!
Refrão
Tentei atalhos em que me afastei,
Mas tu chamaste e eu desejei entregar-Te a vida,
Estender a taça toda a transbordar, cantei!Refrão
E se algum dia me afastar de ti,
E se algum dia me esquecer de nós,
Vem procurar-me onde eu estiver,
Não penses que eu sei ser sem ti,
Sou apenas um aprendiz de viajante.
Sou apenas um aprendiz,
Sou apenas um aprendiz,
Sou apenas um aprendiz de viajante.
Tenho um amigo que partilhou este video comigo e mais um grupo de amigos :)
Não o vi logo porque quando vi a publicação estava no telemóvel e só hoje é que fui mesmo ver...
Já partilhei aqui algumas vezes que "a vida levou para longe pedaços e o tempo deixou o sabor do cansaço"... perdi alguns amigos porque a vida os levou para longe.
Podem contar-me a história de que se foi assim não eram bons amigos beca beca... não é verdade! Há um ou outro ou outro que eram mesmo bons amigos, mas a vida conspirou contra essa amizade e perdi-os.
Alguns encontrei no facebook mais tarde, mas agora passados tantos anos parece que já não somos nós... De alguns tenho muitas saudades, mesmo muitas...
É capaz das hormonas me estarem a dar a volta, né?
... e não podia deixar passar em branco a morte do D. José Policarpo.
Às vezes sei que sou um bocado dada à beatice, mas agora nem é o caso... Gostava dele desde sempre porque desde sempre ele era o meu Bispo.
Em todas as grandes atividades de Igreja em que participei, lá estava ele e ainda há relativamente pouco tempo tinha estado com ele numa atividade aqui na nossa paróquia.
A ultima imagem dele que me acompanhará para sempre será numa missa crismal em que levámos a Maragarida e à saída ele sorriu para nós :)
Na sexta-feira fui ao concerto da Mafalda Veiga com uns amigos :)
A Mafalda Veiga tem músicas que são, sem dúvida, a banda sonora da minha vida.
Cantou todas as minhas preferidas, cantou músicas que me lembraram momentos concretos da minha vida... cantou musicas que me lembraram pessoas, cantou musicas que fizeram as lágrimas quase romper.
Porque a Mafalda é assim :) põe em palavras aquilo que eu estou a sentir. Às vezes dizíamos na brincadeira que a Mafalda puxava o nosso lado mais "depre".
Longe de estar num estado desses, a música que fez "bac" em mim foi os cúmplices. Uso muitas vezes esta expressão com os meus amigos. Adoro sentir cumplicidade com alguém... num olhar, num sorriso, num gesto.
Quando me falha o chão é disso que morro de saudades: da cumplicidade!
... em que as saudades chegam assim sem avisar, e tomam conta de mim.
Hoje seria um daqueles dias em que com uma mensagem, saberias que tinha havido algo... Hoje tive uma conversa daquelas que lava a alma. Só pode ser por isso que chegaram estas saudades...
Hoje queria poder trocar mensagens contigo até às tantas, com conversa fiada daquela boa que distrai e nos faz não pensar em nós.
Hoje pensei se ainda me conseguiria lembrar da ultima vez que falámos assim... mas não consigo... eu bem digo que a minha cabeça tem o tamanho de uma ervilha :)
Hoje sabia que me ias fazer rir, só por sentires que precisaria disso. Era assim há uma década, há mais de uma década...
O tempo passou e tu não estás do outro lado do telemóvel... não estás do outro lado do meu eu... mas eu hoje precisava que estivesses! Precisava daquela gargalhada.
Hoje estou assim... com a alma lavada... mas com saudades tuas amigo!
Embora não seja a primeira vez que a Guigas dorme com outras pessoas, é a primeira vez que fica de férias e nós a trabalhar!
Ainda não tinha saído de ao pé dela e já estava a morrer de saudades!
Ela está bem, brinca e diverte-se e não tem de andar a trás de pessoas crescidas a fazer coisas chatas...
Tentamos convercer-nos de que assim é que ela está bem e nós também, mas é impossível não desejar que o tempo passe rápido para voltar a enchê-la de beijos :)
A Matilde goza uns dias de filha única... quando não está louca de dor de barriga também é muito querida e muito risonha!