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terça-feira, 4 de julho de 2017

4º parto - agora a mãe!

Ainda não tinha vindo aqui porque me sinto ainda absorver tudo!

Aos poucos lembro-me de mais um ou outro pormenor e saboreio o momento.

Nunca tinha pensado num parto como um momento bonito... pelo contrário, e apesar das três experiências diferentes que tinha tido, achava tudo muito animalesco.

Quando era miúda, lembro-me de ter visto a gata da minha prima a ter gatinhos e achava que associava tudo ao mesmo :P

Sei que nada está nas nossas mãos, por isso o que vou escrever agora pode cair em "saco roto" porque sou daquelas pessoas que entrega tudo nas mãos de Deus... sempre disse que gostava de ter quatro filhos, acreditando que mudaria de ideias, porque é difícil, porque não ia ter dinheiro, porque... porque...

Apesar de nos sentirmos muito felizes e completos com as três miúdas, ficarmos grávidos do quarto não foi nenhuma desgraça, mesmo não tendo sido planeado ou esperado ou desejado ou querido. Foi uma surpresa e vivemos tudo como uma surpresa, mas vivi tudo a pensar é a ultima! (reforço a ideia de que sei que não está nas minhas mãos mas é o que sinto).

Tive sempre partos diferentes... na primeira gravidez, entrei para fazer um ctg a médica fez toque e comecei a sangrar. Era super fresquinha e sei que tive pouco mérito no trabalho de parto... não dilatei e a Guigas nasceu de cesariana. Foi um momento bonito, apesar de não poder ser partilhado com o pai, mas em que senti tirarem a miúda, ouvi-la chorar, mostrarem-na...

No parto da Matilde combinado com a médica, foi mais lento com epidural e um momento que descrevi na altura como muito bonito, ajudou-me a ganhar consciência de que é preciso fazer uma força enorme. O que retenho hoje era de várias pessoas me dizerem para fazer força e eu quando falo disso lembro-me de dizer que fiz mais força do que a minha maior força! 

No parto da Mafy dada a rapidez dos acontecimentos e por não ter conseguido levar a epidural aprendi oura coisa, é que além da minha maior força, a força tem de ser feita durante um período contínuo de tempo. Não é um bocadinho, é algum tempo seguido a fazer aquela força toda... 

Também aprendi com esta experiência toda, que há muitas coisas que não se ensinam na preparação para o parto. E que há coisas que deviam ser ditas de forma muito crua porque nós mães prestes mesmo a sê-lo ou acabadinhas de o ser, com hormonas aos trambolhões devíamos conseguir ter noção que outras mulheres passam pelo mesmo e assim já estávamos mais ou menos preparadas.

O parto do Martim, começou as 5h30 da manhã com a primeira contração. Assim que a senti percebi logo que ia ser! Outra às 6h00 e pensei: "de meia em meia hora dá para esperar e levar as miúdas à escola"... outra às 6h15: "hum se calhar não dá"... outra as 6h30: "JP é agora!"

Levantar, vestir, ligar à avó para ficar com as miúdas, preparar as coisas todas para levar e ir, chegámos ao hospital às 7h50. A enfermeira fez o toque: "3 cm, colo favorável, está muito bem e vai ser rápido".

Levaram-me para a mesma sala de dilatação onde já tinha estado quando foi a Guigas, deram-me o antibiótico porque o Stretocopus B era positivo por volta das 8h30 e fiquei à espera. Deviam ser umas 9h e tal passa a ronda das médicas, a dilatação ia em 5/6 cm vamos levar epidural.

O anestesista foi rápido a chegar e demorou meia hora a fazer tudo portanto já sem dores consegui relaxar ainda mais e entretanto o JP pôde vir ter comigo. Já tinha pedido para ele vir mas como estava a ser tudo tão rápido nem dava para o chamarem.

Por volta das 11h00 senti uma contração GIGANTE (mesmo anestesiada) e as águas rebentaram... o miúdo ficou doido e elas um pouco aflitas... Entretanto, uma mãe vai ter a criança e trocam as enfermeiras. Entra uma médica que diz que é melhor o Martim nascer, faz o toque e diz está com 9/10 cm vamos levá-la!

O JP ainda perguntou: Já? Perguntou-me se eu estava bem, disse-lhe que sim! Ficou descansado e vamos!

Já no bloco de partos entraram duas médicas, uma enviada pela minha queria Dra Amélia e percebi que seriam elas a fazer o parto. 

Perceberam, tal como eu já tinha percebido que ainda não estava no ponto e que a médica que me tinha mandado para ali se precipitou um pouco, mas conforme as contrações vinham e fui fazendo força, o Martim foi descendo.

Elas foram motivando, com tanta calma... é isso! A força é mesmo assim! Boa força! 

Mas a falar, sabem? Sem stress, sem estarem a gritar (foi para mim a grande diferença entre serem médicas ou enfermeiras a fazer o parto)... Ah! E esperavam que eu dissesse quando é que a contração vinha. Fui eu que disse sempre: vem aí uma!

E eu sentia que ele vinha aí :)

Olharam para mim e disseram: na próxima ele nasce!

Mentalizei-me e fiz força,sempre, sempre, sempre.... senti-o descer mas senti que a força ia falhar e a médica disse: não desiste!

Pensei: só mais um bocadinho e senti a cabeça dele sair. E logo, logo o resto do corpo deslizar... tal e qual lemos nos livros!

E juro que saboreei mesmo, mesmo o momento! Um momento bonito, de ternura, vivido e saboreado.

Tudo o resto é o normal, colocar em cima de mim, o pai cortar o cordão, pesar, recobro e isso tudo. O Martim nasceu às 11h34, dia 30/06/2017, com 3,4 Kg e veio pincelar a nossa vida de azul e na minha expetativa, promete pincelar a nossa vida com coisas muito boas.

A minha médica foi ver-me ao recobro e disse: no próximo já nem sabemos o que fazer para a surpreender que isto foi sempre a melhorar. Respondi-lhe: não quero próximo Dra, este foi para fechar em beleza e só tenho a agradecer-lhe por isso!

E é este sentimento que vivo, por agora! Estou a saborear tudo!







domingo, 2 de julho de 2017

This is me! This is us!



A Ritita gosta muito do filme "O Amor acontece" cuja primeira cena é num aeroporto e que explica todos os sentimentos que acontecem num aeroporto: a ansiedade, a tristeza, a alegria,...
Acho que há outro sítio que é assim, que é o hospital!

Bem ou mal, todos nós devemos passar algumas vezes pelo hospital ao longo da vida.
Neste caso, este hospital concreto, faz parte da minha vida... 

A primeira vez que me lembro, ou melhor, o momento em que o hospital Fernando da Fonseca (ou Hospital Amadora-Sintra, tal como é conhecido) passou a fazer parte da minha vida, foi no início da minha adolescência, quando um amigo nosso foi atropelado e nós quase que nos mudámos para o hospital durante o Verão.
Viemos de carro, de comboio, de autocarro. Éramos miúdos e queríamos estar juntos.
Nessa altura aprendemos a conhecer os corredores. Aprendemos a entrar pelas urgências, pelas consultas externas. Aprendemos truques para sermos mais a entrar e a passarmos a tarde no quarto. Uma vez chegámos a juntar-nos uns 15 num daqueles quartos das visitas, a jogar ao Uno! Volta e meia éramos expulsos... :)

Depois crescemos.
A minha mãe foi operada. Foi enquanto ela estava nestes quartos que recebi uma das piores chamadas da minha vida. Uma chamada de despedida que, graças a Deus, não veio a acontecer.
As estradas voltaram a trazer-me para aqui, por operações consecutivas e histórias mal explicadas.
Quis o destino que num desses internamentos acontecesse o nascimento da minha primeira filha. 
No mesmo hospital. Uns pisos abaixo.
Era quase 22h quando ganhei o epíteto de pai, pela primeira vez. Tirei uma fotografia manhosa e arrisquei-me a atravessar os corredores do hospital a essa hora. Passei de uma torre à outra e mostrei a fotografia da primeira neta à minha mãe.
Ao sair do hospital, lembro-me, como se fosse hoje, desse pensamento e sentimento de olhar para o hospital, com algumas janelas iluminadas, e de pensar que deixava ali 3 gerações de mulheres.
As mulheres mais importantes para mim: a minha mãe, a minha mulher, a minha filha.

Passaram mais alguns anos. A minha 2ª filha nasceu. No mesmo hospital.
Foi nesse hospital, noutro piso, que voltei a passar uma semana. Entre intervalos e pausas. Horas de almoço e finais de dia, uma ginástica para estar junto à minha família.

Nasceu a minha 3ª filha. Nasceu o meu 4º filho. Em ambos os momentos senti o apoio da equipa do hospital nesses momentos especiais.

Pelo caminho ainda voltei ao mesmo hospital para ver a minha avó pela última vez. Foi aqui, numa destas camas, com os mesmos lençóis, que a vi deitada e que falei com ela pela última vez.

Ao longo destes anos, houve outras vezes que a estrada me trouxe até este hospital, mas estas foram as mais marcantes.
Nos próximos anos sei que virei outras vezes.
Dessas vezes, tal como até agora, virei aqui, a este hospital, ter boas notícias e sorrir. Virei aqui ter más notícias e chorar. Virei aqui... viver a vida!

Já o disse no outro post: maus profissionais há em todo o lado mas, felizmente, a esmagadora maioria dos profissionais com quem me cruzo têm tido uma palavra de conforto, um sorriso, uma troca de experiências. E é tão melhor quando é assim!
Os seguranças e as senhoras da receção veem uma pessoa grávida e desejam que corra tudo bem. Não são máquinas. São humanos! Também eles têm mulheres ou filhas que vão ser mães ou que já foram. Também eles serão um dia pacientes...
Desta última vez aconteceu um outro fenómeno: as senhoras da receção do hospital decoraram os nomes das nossas filhas. Sabiam a nossa cama! Sorriam e perguntavam-lhes se o Martim estava bem.
Assim, durante um bocadinho, este hospital foi mesmo a nossa casa.

Este hospital faz parte da minha família.
Infelizmente a maior parte das séries norte-americanas transformam o que se vive em hospitais numa novela de affairs, entre os corredores. Mas quando olhamos para os corredores reais do hospital vemos outras coisas. Vemos que aqui há dramas. Aqui há sonhos. Aqui há pessoas que trabalham. Aqui há esperança. E as pessoas que aqui trabalham testemunham-nos todos os dias. E mesmo assim, ainda conseguem lidar com isso como se fosse a primeira vez.

Este hospital conta um bocadinho da minha história.
Este hospital conta um bocadinho da minha vida.
Sempre que estou neste hospital sinto que:

This is me!
This is us!

sábado, 1 de julho de 2017

A aventura de ter um 4º Filho - Conta o pai!


Quase 48 horas depois, conseguimos ter tempo para descrever como foi esta aventura, que isto de ter 4 filhos é outro campeonato... :)

Depois de ter falado na "segunda pessoa" quando fiz o post sobre o nascimento da Mafy, desta vez também quis explicar um bocadinho algumas diferenças... O que muda, agora...

O 1º parto tinha sido cesariana, o 2º foi marcado pela ansiedade de ter podido assistir, no 3º foi a velocidade de tudo ter corrido bastante rápido. Por isso, para este 4º tentámos mentalizar-nos para tudo!

Quando a Ritita me acorda às 6h da manhã e diz: "é agora", por mais mentalizado que se esteja e por mais que seja a 4ª vez, há sempre aquele formigueiro na barriga. Presente ao acordar. Ao pequeno-almoço. Quando pensamos que "vai acontecer!"
Temos que nos concentrar, pensar no plano para gerir as miúdas, o que seja mais favorável, e isto já compete ao pai, porque entretanto a mãe já está em respirações e a controlar dores - em modo parto. É ai que, mais uma vez, o pai começa a entrar em ação. Entretanto, como não podia deixar de ser, cá em casa as miúdas começam a acordar e tenta-se explicar o que está a acontecer. Dizem que querem ir para a escola (onde estão seguras e a sua rotina é igual. Como as percebo!).

Arrancamos para o hospital. A mãe entra. E o pai espera, no desespero que é aquela sala de espera, com mães a gemer e pais a roer unhas. Depois de umas 2 horas de espera, lá tenho autorização para entrar. E aqui, a diferença maior que noto é a tranquilidade! A nossa tranquilidade! A serenidade de se chegar a um sítio que é já nosso.
Ter o 4º filho permite-nos ter uma certa credibilidade no hospital e vivermos tudo com muito mais tranquilidade. As pessoas olham-nos com outros olhos. Já não somos os histéricos que fomos. Conhecemos o CTG, o que são contrações. Falamos quase de igual para igual:)

Lá dentro acabou por ser tudo muito rápido: entre entradas de enfermeiros, contrações e entradas de médicos, acabei por não estar nem uma hora na sala de dilatação com ela.
Avançámos para a sala de partos. E aí, é como se estivéssemos a ver um filme pela 2ª vez, ou pela 3ª... Sabem como é? Quando estamos menos ansiosos e reparamos em pormenores e diálogos que não tínhamos reparado da outra vez?

A minha querida esposa dominava a situação, mostrando que sabia o que devia fazer na altura certa. Que orgulho que senti na sua confiança, no seu controlo, na sua força!
E os médicos e enfermeiros não paravam de nos dizer que assim era mais fácil, com quem já sabia o que vinha fazer. Desta vez foi tão especial, que quando vi a cabeça a sair, mesmo antes dele chorar, confesso que desta vez tive "tempo" de me emocionar!
E não, não foi por ser um rapaz.... Foi porque pude apreciar o milagre que é trazer uma vida nova a este mundo. Fiquei com lágrimas nos olhos.
Não foi como nos filmes: não houve gritos, gotas de suor, máquinas a apitar. Foi um momento nosso. Especial!

Muito se tem falado de parto humanizado e natural. Das mães serem ou não dirigidas. De invadirem a privacidade. Da postura de médicos e enfermeiros. Mas a partir do momento em que eu vou para o hospital, eu quero ser dirigido. E apesar de ser uma privacidade diferente, em todos os momentos me senti acompanhado e com pessoas que sabiam o que faziam. Também existem por lá os técnicos de mau humor, mas tivemos sempre a sorte (ou a graça) de sermos acompanhados por pessoas humanas, que também partilham um pouco da sua vida...
Sei quantos filhos tem a enfermeira que teve connosco.
Sei quantos filhos quer ter a doutora, que se casou neste mês de setembro e que sonha com os seus próprios filhos.
Sei quantos partos fazem por dia.
Sei quem são. Não são - eles os médicos - um número para mim. São pessoas reais com fragilidades, mas com qualidades.
Quando me despedi destas pessoas - estranhas para mim - mas que partilham um momento especial, tive vontade de as abraçar para lhes agradecer.
Alem disso, isto de ter o 4º filho dá-nos ainda outros privilégios, pelo que ainda nos deixaram tirar uma fotografia com a criança ainda quentinha!




Depois o reverso da medalha é termos que gerir as outras 3 pestinhas que temos cá em casa. Os seus desejos. As suas ansiedades.
Mas têm-nos surpreendido tanto nestes dois dias!...

A Guigas, sempre mãezinha, a querer tomar conta dele e de todos. A explicar o que faz. A ter que dominar a situação.

A Mafy, que apesar de não querer pegar, devagarinho, primeiro faz uma festinha. Depois já quer dar um beijinho e depois dá muitos... E só sabe falar do mano Martim.


E a Matilde, que depois da aventura na ecografia, revelou um imenso carinho, ternura. E um desejo muito grande de ser irmã mais velha de dois. A fotografia não consegue captar toda a ternura do olhar dela.



E nós? Nós cá vamos ficando a babar, para esta família... que estamos a começar a construir!

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Na "segunda" pessoa...


Pedi à "mãe" se me autorizava a escrever a minha visão do parto. Assim, no seguimento do título do post da mãe, surge o meu.
Porque realmente acredito que, muitas vezes, o papel do pai nem é considerado como secundário, é mesmo considerado insignificante, é relegado para outro plano e acho que é importante que, sem de modo algum menosprezar todo o papel da mulher, dar a conhecer o que sente um pai (eu!), durante uma noite com esta (e aí vão 3!).

No outro dia ao apagar mensagens antigas no telemóvel, vi uma mensagem que mandei a um amigo nosso, cujo trabalho de parto da mulher se estava a prolongar por horas infindáveis... Na altura, senti necessidade de lhe dizer, de pai para futuro pai, de marido para marido, que compreendia a frustração dele, o querer ajudar e não poder fazer nada, a impotência que ele devia estar a sentir... E que a única ajuda que ele podia dar era estar ali, junto dela. Nós, homens, temos esta mania de ter que ser fortes, dominar a situação, e não poder mostrar essas nossas fragilidades.
A isto junta-se o facto de, muitas vezes, existir o preconceito de achar que o Homem é o gabarolas mas que na hora da verdade não era capaz de aguentar o sofrimento...
Eu digo: não sei o que são as dores de parto, mas naquele momento em que vejo - impotentemente - a minha mulher, que tanto amo, a sofrer, trocaria de lugar com ela - tal como uma mãe trocaria de lugar com um filho quando o vê em sofrimento - para ser eu a sofrer.

O papel do Pai é ingrato!
Ontem, estávamos em casa, a contar contracções. Umas mais fortes, outras mais lentas. Às vezes ela fazia: ai, ai, ai! E eu perguntava o que foi? É para irmos já para o hospital?
- Não, era só esta que era um bocadinho mais forte.
E ali ficamos sem saber como ajudar...

Depois decidimos arrancar. Chegar. Estacionar. Amparar. Dominar uma situação que não podemos dominar: porque não a conhecemos.
E esperar. Esperar na incerteza de não saber o que se passa no outro lado das portas por onde as nossas mulheres entraram.
As mães não conhecem o mundo da sala de espera. De pais mais ou menos nervosos. De pais que precisam de apoio ou de pais que querem ficar sozinhos. O mundo da espera desesperante.

Ontem, quando a Ritita veio ter comigo e disse que tinha 6 dedos de dilatação (e porque o facto de ter 3 filhos tem que servir para alguma coisa:)) perguntei-lhe: mas ainda vais ter epidural?
E ela: Sim, sim.
Sentei-me: sem a contrariar (porque não se pode contrariar uma grávida com 6 dedos de dilatação:P), mas convencido de que o anestesista não chegava a tempo. Quando acabou a série violenta que estava a dar na TV da sala de espera àquela hora, fui ter com a rececionista e disse: 
- Ainda não me chamaram para entrar. É porque a minha mulher já está a receber a epidural? É porque eu costumo entrar e sair no momento da epidural...
Ela lá deve ter percebido que eu dominava um bocadinho mais a situação (já era repetente...) e disse:
- Não. Ainda não. Mas então vou passar a pô-lo a par da situação.
Mas nisto passa uma enfermeira atrás e diz: é o acompanhante da Rita? Ah pode entrar já. É porque ela já não vai levar epidural (inevitavelmente pensei: claro, eu sabia!). Mas só disse: ah, não? Pois então tenho mesmo que entrar já! Alguém vai ter que a acalmar...

Os segundos em que vesti a bata, guardei os meus pertences no cacifo, desinfetei as mãos e caminhei até ao bloco de partos ("avance diretamente até ao bloco de partos, sem passar nas casas da dilatação") foram os segundos em que me mentalizei para o cenário de "desorientação" que ia encontrar e como ia ter que tomar o controlo da situação. 

Cheguei ao bloco e ela diz-me, de olhos arregalados: já sabes que não vou ter epidural?
- Sei. Mas é assim. Todos são diferentes e se há centenas (milhares?) de mulheres que conseguem tu também vais conseguir!
Os minutos que se seguiram foram (e são!) uma busca incessante do equilíbrio entre ter umas piadas com as enfermeiras (para cairmos nas boas graças delas. Ontem até lhes disse: digam-me o que fazer, que eu não sou dos pais que desmaiam!), piadas para a mãe para aligeirar o momento ("eu sabia que devia ter trazido o martelo para a anestesia"), ser prático e útil ("onde é que posso ir molhar as compressas que a minha mulher está a pedir"), verificar que tudo está a correr bem, principalmente quando a enfermeira diz a meio do trabalho de parto ("oops, devia ter feito uma episiotomia") e dominar a situação como nos compete ("tu és capaz", "faz força agora", "já vejo mesmo a cabeça"). 
Isto claro sem nunca largar a mão. 
Mas sem apertar demasiado, porque magoa.
Mas sem afrouxar demasiado, para perceber que tem que fazer força.
Em equilíbrio. Em domínio da situação. :)
É igual aos filmes... Mas com a nossa mulher! É ela que tem suor a escorrer. É ela que faz força até parecer que as veias vão saltar. É ela que olha para nós a querer dizer: "faz qualquer coisa. Puxa esta criança. Tira-a de dentro de mim!!" E esta criança que nasce e chora (que queremos que chore!) é o nosso filho! Esta criança que demora 2 minutos a sair mas que a nós nos parecem horas. 
Compete-nos ver se nasce bem. Compete-nos ver se a mãe ficou bem. Compete-nos ver se a enfermeira a costura bem. 
Compete-nos continuar a dominar a situação: ver se estão a pôr a etiqueta certa. Se dão atenção à nossa mulher. Se cuidam bem do nosso filho.
Ah! sem largar a mão!




Ser pai, nesta noite é como ser um encenador. Fica nos bastidores. Ouve os aplausos, rejubila por dentro porque contribuiu para o espectáculo. Mas sabe que não representou...
O seu papel é na sombra!

Sempre foi meu propósito de vida que, qualquer que seja o nosso papel (na vida, no trabalho, numa peça) devemos assumi-lo por inteiro, como se fosse o de protagonista.
No que me diz respeito, adoro ter este papel!! E é muito melhor quando o papel de atriz principal é desempenhado por uma pessoa que tanto admiro! E que sei que mesmo que lhe mudem as falas, acabará sempre por brilhar e por ter a plateia a aplaudir... de pé!

O Pai

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Aniversário de casamento e passeio a dois!

Decidimos ir passear só dois... sem stress, sem preocupação com o carro, só nós e os nossos livros e foi TÃO bom!

O local escolhido foi Évora. Comprámos os bilhetes na CP online com desconto, ida e volta, ficou baratissimo.

O hotel, já andava na nossa mira há uns tempos, foi o M'Ar de Ar Muralhas. Simpático, sossegadinho, estava cheio e com muitas famílias. Pena o tempo não ter ajudado mais, mas ainda assim aproveitámos um pouco de pisicina.

A comidinha do Alentejo, e apesar das nossas esquisitices, foi bem aproveitada. Fomos a restaurantes agradáveis, uns fora do comum, outros normalissimos, passeámos, namorámos, sorrimos.


Aqui as migas à alentejana!

Aqui um gaspacho gourmet
Foi um fim de semana muito bem aproveitado, tal como estes seis anos :)

Tudo tem sido muito bom!



quarta-feira, 23 de abril de 2014

Noite dificil...

A Matilde passou o dia a gemer... não quis comer...

À noite peguei nela e fui ao Amadora-Sintra. Não gosto desta altura porque está quase a fazer um ano que ela ficou internada, mas de coração a bater rápido e princesa no colo lá fui eu.

Uma confusão de gente...

Quando nos chamaram a médica que nos atendeu foi a que a internou dessa vez. Na altura não gostei nada dela, mas desta vez foi muito mais querida.

Muitas horas depois, análises e um clíster a conclusão é que a miúda precisava muito de fazer cócó...

Por agora, descansemos, está tudo bem!


Ainda deu para ter uns momentos simpáticos de alegre convívio entre mães. Tínhamos de vencer o sono de alguma forma... :)

sexta-feira, 3 de maio de 2013

E HOJE! :)

Acordámos cedo e preparámo-nos para ir à consulta no Curry Cabral.

Chegámos lá e a médica que já nos esperava disse que tinha uma desconfiança. Chamou os colegas todos (mais uma vez dez de volta dela) e fez o diagnóstico: edema agudo hemorrágico.

Uma doença rara mas benigna e dificil de diagnosticar, como podem ler no artigo.

Voltámos para o HFF onde, finalmente, nos deram alta :) 

A médica foi, mais uma vez fantástica, pediu apenas para irmos a uma consulta na pediatria geral. Explicou que a minha baixa pode ser prolongada devido a estes dias em que a princesa esteve internada.

Por outro lado, a Matilde foi sendo fotografada, não só por mim, mas também pelos médicos sendo que será objeto de artigos cientificos. Ainda ganham o Nobel da Medicina :P

E pronto, já estamos em casa.

Ela está óptima, a dormir muito bem e eu vou fazer o mesmo!


A Guigas adorou a surpresa de a termos ido buscar :) Chegou a casa mordeu a chucha e estragou-a, foi pô-la no lixo e adormeceu sem ela! :)

BOA!

Ah! E na escola pediu para fazer cócó na sanita ;)


Quinta - dia 2 de Maio

A nossa querida médica voltou e ficou contentissima da Matilde estar tão melhor!

Disse-nos o resultado das análises e explicou as várias análises complementares que tinham sido feitas.

Explicou que ia escrever uma carta à colega que nos ia receber no Hospital Curry Cabral a explicar o que se tinha passado mas também a dizer que estava muito melhor (não fossem os senhores achar que nós estavámos doidos).


A Matilde continuava a melhorar, enfermeiros e médicos todos comentavam isso. De salientar que não estava, nem está medicada! O unico medicamento que tomou foi na entrada da urgência.

Portanto, estavamos no hospital para nos verem :) e neste dia recebemos a visita dos Doutores Palhaços :) Dançamos um pouco com eles e já nos sentimos muito animadas!

Neste dia também , a mamã pode ir à missa porque houve uma na capela do hospital :) Estava quase tudo a entrar no caminho certo!

Quarta - dia 1 de Maio

Foi o dia mais chato!

Como era feriado nem sequer tínhamos o corropio dos médicos... a nossa colega de quarto já tinha ido embora e por isso nem companhia para conversar...

Fui almoçar com a Guigas, mas antes disso a enfermeira disse que podia passar uma autorização para a Guigas poder ir ver a mana.

Foi uma das melhores noticias que recebemos :)

Ela foi, ficou descansa, ficou a conhecer os nossos aposentos e a mãe muito mais descansada e contente!


Entretanto, a Matilde melhorou e muito!

Terça - Dia 30 de Abril

A nossa médica não estava de serviço mas logo de manhã foram uns quantos inteirar-se do estado de saúde da Matilde.

As opiniões dividiam-se, por um lado os homens diziam que tinha sido uma picada de bicho e para ela ir para casa, por outro as mulheres a jogar mais pelo seguro.

A consulta de dermatologia ficou para sexta-feira por isso até lá temos a estadia paga.


Entretanto as borbulhas começaram a melhorar. Começaram a ficar menos encarnadas e menos inchadas.

Neste dia à tarde recebemos a visita de duas princesas cujo projeto é a Musica nos Hospitais e aqueceu-nos um pouco o coração :)


Entretanto, a Guigas teve direito a jantar com a mãe, mas já mais sossegada e calma, aceitou bem o ter de voltar para o hospital.

Segunda - dia 29 de Abril

Após uma noite muito mal passada e a desejar secretamente que um milagre qualquer limpasse a borbulhagem da cara da Matilde, a médica voltou disse que com o medicamento que lhe tinha dado o efeito devia ter sido melhor e por isso mantem o internamento.

Quando chegámos ao nosso quarto no hospital de dia da pediatria estava a médica que já tinha estado nas urgências e que tomou logo conta de nós.

Ainda bem que não tenho de conhecer muitos médicos, mas esta é, sem dúvida, uma das melhores com quem me cruzei.

Explicou que a Matilde estava bem, sem febre, não estava irritada, comia, dormia e por isso não era necessario estarmos preocupados mas que eles, sô dotores, queriam ter a certeza.

Veio a chefe de serviço, a alergologista, mas não sei quantos médicos, nada... ficou a indicação de que teria de ir a consulta de dermatologia no hospital Curry Cabral.

No meio de tudo isto, acabei por ir buscar a Guigas à escola, dado que tinha acordado e eu e a mana não estávamos e partiu-me BRUTALMENTE o coração quando lhe disse que ainda tínhamos de ficar no hospital e ela começou a chorar...


Domingo - dia 28 de Abril

Já em casa! :)

E após o breve resumo feito pelo pai, vamos lá contar a nossa aventura :)

Portanto, no domingo ao final do dia, já a achar a Matilde muito molinha e com muito receio que a noite fosse de IMENSA ansiedade, decidi ir à urgência com a certeza que os senhores com mais experiência haviam de saber o que ela tinha.

Chegámos lá e afinal enganámo-nos: não sabiam...

Chamaram vários médicos da urgência e mais os neo-natologistas e nada... ninguém tinha visto tal coisa.

Pesquisaram na net e decidiram internar e começar por dar anti-histaminico como se fosse alergia e ver no que iria dar. E pedir análises :) Primeira medida: mãe deixa de dar de mamar durante 48 horas, não pode beber leite de vaca e vamos tirar leite com a bomba.

O que custou mais? Entrar na sala de enfermagem e vê-la ser picada e à noite a ultima mensagem trocada com o pai que tinha ficado com a mana.

Diz a enfermeira: Mãe se quiser pode esperar lá fora

Mãe (com lágrimas nos olhos): Não, não eu aguento.



quarta-feira, 1 de maio de 2013

Desta vez, fala o pai...

Não queríamos preocupar-vos mas, uma vez que entretanto a notícia se espalhou, vimos confirmar e explicar um bocadinho a história...

As borbulhas da Matilde de que a Rita falou foram aumentando de tamanho... Se Sábado de manhã, apesar de estranhas e nada tradicionais, as borbulhas podiam ser de varicela, no Domingo, até nós - incultos da medicina - percebíamos que não eram.
Ligámos outra vez à pediatra, uma série de recomendações e esperar até ao dia seguinte para ser vista.
À noite, as borbulhas continuavam a aumentar em número e tamanho e começou a ficar um pouco quente e achámos melhor ir ao hospital, porque a noite iria ser de muita ansiedade.

Vai daí, que quando os médicos a viram no hospital já não a quiseram largar e internaram-na. Devem ter querido ficar com um cobaia para um Nobel... é que desde aí que não a largam. :)



Desde Domingo à noite que já houve dezenas de médicos a irem vê-la, à famosa "menina das manchas que ninguém sabe o que é". Os estagiários, então, adoram-na:)

Uns acham que é alergia a qualquer coisa que a mãe comeu, outros acham que é picada de bicho, outros que é dos cremes, outros que é de pele, outros qualquer coisa que não sabem explicar.

Ponto de situação:
- está internada, só em observação, sem ser medicada;
- mesmo assim, as borbulhas estão a diminuir de tamanho e de intensidade de cor, desde 2ª feira à noite. Algumas já desapareceram por completo;
- tem uma consulta marcada para dermatologia, na 6ªfeira;
- aguarda os resultados das análises de alergia e de tolerância a leite de vaca;
- já estamos os dois bem mais tranquilos e com uma inclinação de que não vamos chegar a descobrir o que foi isto.

E pronto, daremos mais notícias logo que se justifique e a mãe adorará contar tudo em pormenor quando voltar...

A mãe pede ainda para agradecer os mimos que tem tido;)