sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Santiago - vida normal

Hoje regressamos à vida normal!

Aos gritos das miúdas, ás rotinas normais... a partir de hoje já não há setas amarelas para seguir ( parece tão mais fácil quando é só procurar isso )...

O primeiro padre a quem disse que gostava de fazer o Caminho de Santiago deixou-me cheia de vontade de o fazer com ele... nao foi possível...

Mas se em muitos momentos da minha vida eu sinto a falta dele, das suas palavras... nesta peregrinação senti-o bem presente. Em muitos momentos e também nas palavras.

Trouxe-o comigo!

E ainda bem! Porque esta peregrinação far-me-á ver, entender e viver muitas coisas da minha vida de forma diferente ☺


Uma noticia boa nunca vem só

No dia em que chegámos a Santiago e estávamos bem contentes, fomos tios novamente!

Desejo que a vida da princesa Carolina seja um eterno desafio e alegria, tal como esta aventura para nós!

A caminho - Dia 6

Como já dissemos, este desejo começou a germinar em nós, mais ou menos, há um ano!
Desde aí ninguém soube que o íamos fazer. Só há muito pouco tempo é que 2 ou 3 pessoas o souberam, por questões logísticas.

À medida em que o tempo ia avançando e fomos aumentando os preparativos para a peregrinação, foi aparecendo o friozinho na barriga. A tentativa de certeza de que todos os pormenores estavam pensados (aqueles que eram necessários), a escolha do que era essencial para se levar e do que era acessório (o que por si só foi já uma descoberta e uma experiência) e tentar que pelo menos o espírito e a alma estavam prontos para o que íamos viver (já que o corpo sabíamos que não).

Queríamos fazer esta peregrinação em 5 dias porque mais o dia de viagem de ida e o dia de viagem de regresso são muitos dias sem vermos os nossos filhos (e para alguém cuidar deles!). E conseguimos, com a graça de Deus.

Se fosse agora faria algumas coisas de forma diferente. Além disso a primeira vez traz sempre o sabor da novidade, a ansiedade da incerteza e a vontade de querer ter a certeza de sermos capazes.
Quando repetimos uma experiência já não temos que provar nada a ninguém (principalmente a nós próprios) e isso permite-nos desfrutar das coisas com outra tranquilidade. Por este motivo, gostaria de repetir esta experiência... um dia. Porque nunca é repetida da mesma forma.

Durante estes dias "sobrevivemos" com pouco. Percebemos que somos capazes de sobreviver com pouco! E isso ajuda-nos a valorizar o muito que temos!!
Todos os sentidos ficam mais sensíveis: a água fresca sabe melhor. Uma salada deslavada, em meio de nenhures, sabe "pela vida". As vistas deslumbram-nos mais e enchem-nos da maravilha da criação. Vemos a alma dos que se cruzam connosco. Cada passo é sentido. E Deus está presente de forma visível.

Ao fazer a viagem de regresso de comboio, passo mais rápido pelas terras onde fico e ganho consciência que sozinho não teria conseguido percorrer este camin8ho, se Deus não me tivesse levado ao colo.
Fica esta sensação de nostalgia e de saudade.
Sei que daqui a uns dias ou semanas baralharei as terras onde estive e os lugares onde me sentei, porque o que ficará (o que sempre fica desta experiências intensas) sâo flashs, momentos de eternidade guardados no mais íntimo de nós: o sabor, uma gargalhada, um sorriso cúmplice, uma vista deslumbrante, uma troca de olhares, as pessoas conhecidas, a sensação de momentos especiais.
Quando falo de Taizé, das jornadas de Roma 2000, Colónia 2005, Madrid 2011, o que vem à memória é esta sensação de felicidade, presença de Deus e momentos de eternidade... como pequenos carimbos na alma que se guardarão para sempre.

O que importa não é ter chegado. É ter feito este caminho, que vejo pela janela do meu comboio!

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

A caminho - Dia 5

Ontem, por esta hora, o dia estava muito mais fechado e começou a chover! E choveu tanto durante a noite que ainda tememos que chovesse de dia.

Mas não. Começámos o dia só com muita humidade e muito frio. Mas é mais fácil de andar assim.
A meio do percurso acontece um fenómeno: faltam 6 kms e tal... e de repente voltam a faltar 7 kms e muito! Desmotiva... mas logo a seguir vemos as torres ao fundo!

Além disso, hoje já mais perto da cidade já havia muito menos setas. Vimos algumas pessoas com quem nos cruzámos.
Até que vimos "os nossos amigos" com quem fizemos parte do percurso ontem!
A alegria deles ao verem-nos é algo engraçado. Acabámos por fazer os últimos kms com eles, que nos ajudaram a chegar à catedral sem nos perdermos (uma vez que não havia setas).
E quantas vezes na vida é assim: pessoas que se cruzam na nossa vida, no nosso caminho, só sabemos o primeiro nome deles. Sabemos que já vieram a Santiago 3 vezes e não sabemos se os voltaremos a ver alguma vez.

Também no caminho da vida vamo-nos cruzando com pessoas que nos ajudam a atingit um objetivo a chegar a um ponto.
Hoje, ao entrar naquela praza, entraram todos aqueles por quem rezei, aqueles que trouxe comigo e que me ajudaram.
Entrou a minha família e entrou a minha querida mulher que mais uma vez provou que é miito mais forte, resistente e corajosa do que ela própria pensa!

Hoje chegámos juntos, porque juntos caminhamos até mais longe!



La Picaraña - Santiago

Ora pelas placas faltavam 14,5 km para quem já andou cento e tal é um pulinho ☺

A questão é que a vontade de chegar é tanta que nem queremos parar, só andar e andar e andar.

A conclusão a que chegámos é que fazer a ultima etapa conforme vem nos guias de Padrón a Santiago é muito muito difícil... e fazê-la antes das 12h para chegar a tempo da missa do peregrino diria que muito mais difícil!

Encontrámos os nossos amigos espanhóis de ontem o Jose e a Gema e acabámos por finalizar o percurso com eles ☺

Foi muito bom!

Posso tirar muitas conclusões do "Camiño" e pensar em várias coisas que não quero esquecer... mas acho que este post ficará sempre inacabado.

Os agradecimentos são sempre para Deus mas claro que não seria possível concretizar este sonho sem o meu querido JP.

Depois não quero esquecer quando de mãos dadas chegámos ao km 0, que conseguimos chegar a tempo da missa, que abraçámos juntos São Tiago, que vivemos isto juntos, que concretizei um sonho e que superámos as dificuldades. Não quero esquecer as pessoas que nos acompanharam e que também tornaram isto possível porque rezaram por nós e as pessoas que se fizeram presentes mandando mensagens ou só a comentar os post's.

O Camiño é muito a nossa vida e tem muito do que vivemos!

Agora ainda vou digerir isto tudo!




Chegámos!


quarta-feira, 8 de agosto de 2018

A Caminho - Dia 4

A etapa prometia ser mais curta do que a de ontem.
Mas, com os olhos postos no dia de amanhã, o nosso desejo era conseguirmos fazer já um pouquinho da "última" etapa, que se prevê a mais longa. Confiamos os desejos nas mãos de Deus e começamos o dia.
E este foi um dos meus primeiros pensamentos: a importância do planear. Planear não quer dizer fazer tudo como estava previsto, mas ter um plano.
Nós viemos com um plano que foi sendo alterado. Mas isso é dar margem para Deus! :)
Defendo que devemos ter sempre planos e depois, confiar no que nos vai acontecendo.

Hoje vimos também algumas paisagens bonitas e começa já a nostalgia de saber que estamos perto do fim, logo agora que começávamos uma nova rotina.

Começamos a conhecer as pessoas e cruzamo-nos frequentemente com os mesmos... Hoje até falámos um poquito com uns "amigos" novos no caminho.
Mas somos também surpreendidos, com as nossas próprias fraquezas. Quando quase a chegar ao local de almoço ficou a doer-me o pé e não conseguia mais andar!

Depois de almoço e recuperados, lá resolvemos avançar, para nos aproximarmos de Santiago.
Refletimos que, ao contrário do que achávamos não é a mochila que nos vai dificultando o caminho, é o peso de nós próprios!
Muitas vezes é assim, na vida! O peso que trazemos em nós é que nos dificulta o seguir em frente! :)
Mas temos que estar atentos aos que caminham connosco!