quinta-feira, 20 de julho de 2017

Amamentação - algum segredo?

Na sexta fui pesar o miúdo!

A primeira vez que vamos pesar é sempre de grande expectativa... aquela cena de ver se está a engordar ou não :)

O Martim engordou 260 gramas!

As irmãs também engordaram sempre bem no inicio, mas isto da amamentação tem que se lhe diga! E é mais uma daquelas coisas em que há muita teoria, muita conversa, e compreensão pelas mãe muito pouca.

A Margarida engordou lindamente no inicio, quando chegou ali aos dois meses perdeu umas gramitas de peso... estão a  ver a cena, né? Primeira filha... eu tinha toda aquela lavagem cerebral de que dar de mamar é que é, o vinculo, os anticorpos, e tem de ser em exclusivo e beca beca... 

Senti-me péssima! Não conseguia que ela mamasse como deve ser, sentia uma pressão gigante só de desejar que ela engordasse e era uma cena minha... a pediatra com calma a dizer que era uma fase, que ia passar... optei por dar-lhe suplemento uma vez por dia. 

E ela voltou a engordar... e eu fiquei óptima, tanto que voltei a dar de mamar em exclusivo mas percebi que ganhei uma coisa de que precisava muito... a liberdade de não estar presa à amamentação 24 horas por dia. 

Vergonha! Qual é a mãe que não quer estar sempre colada à criatura? Qual é a mãe que fica bué feliz porque há um momento em que alguém pode dar um biberão à criatura para a mãe estar sozinha não sei onde, nem que seja na cama deitada? Pois! Mais uma coisa para me fazer sentir péssima!

No meio disto tudo, a Margarida acabou por mamar bem, até aos 15 meses, é uma minorca, ficou doente logo com um mês e portanto o meu leite nem lhe deu anticorpos, nem cresceu muito e pronto.

Esta experiência toda logo na primeira filha deu-me uma perspectiva diferente para as outras... estava mais numa de se mamar mama, se não mamar bebe biberão (também fui alimentada a suplemento e estou aqui...) 

A Matilde mamava em 2 minutos e engordava brutalmente. Sem stress algum do outro mundo, ao fim do mês apareceram-lhe umas manchas horrorosas na pele e tivemos de interromper para ter a certeza que não era eu que estava a passar a bicheza à miúda. Nessa altura bebeu suplemento durante 48 horas, mas retomou a mama normalmente e mamou até aos 9 meses. 

A Mafy ainda melhor... perdeu apenas 70 gramas quando saímos da maternidade e mesmo lá começou logo a mamar lindamente. Pegava lindamente na mama, mamava bem, esvaziava as mamas em 10 minutos e engordava impecavelmente. Foi com quem cumpri melhor todas as regras da amamentação e que mamou em exclusivo mais tempo, mas apenas até aos 6 meses. Quando começou a comer comida de gente achou que a mama já não era coisa que lhe assistisse.

O Martim foi muito mais difícil para começar a pegar na mama. Era trapalhão a pegar, umas vezes mama das duas mamas, outras só mama de uma. Umas vezes faz três horas outras faz mais e outras menos... ainda andamos aqui muito no limbo e por isso ver que engordou bem também me descansa.

Na maternidade disseram-me: olhe que não desista de dar de mamar a este, lá porque é o quarto filho! E eu: sim, sim! Mas realmente esta coisa da amamentação mexe um bocado comigo. É óbvio que se estiverem bem dar-lhes-ei de mamar, claro! (ainda que goste muito da ideia da liberdade de alguém lhes dar um biberão e eu poder estar no café), mas quando começa a correr mal também me deixa chateada o pensar que não estou a conseguir fazer uma coisa que é suposto ser natural...

Ai... coisas de mãe!




terça-feira, 18 de julho de 2017

Amamentação - diz o pai

Sobre o tema "amamentação" confesso que não tenho muita opinião formada.
De todos os temas sobre "ter um filho", provavelmente este é daqueles em que tenho menos opinião e vou mais "a reboque" das opiniões da minha mulher.
Uma vez que ela própria foi aperfeiçoando a opinião que tinha sobre o assunto, à medida que partilha comigo o que sente, vai-me fazendo sentido.
De um ponto de vista prático acho que:
a) é do senso comum que a amamentação tem os seus benefícios: transmite anticorpos, é prático, está sempre pronto, não tem custos;
b) pode causar: alguma ansiedade nas mães quando não aumenta o peso, podem não se sentir à vontade para amamentar em qualquer lugar, "prende-as" aos filhos, não podendo ficar mais de X horas longe deles;
c) é a desculpa ideal para todos os pais: só a mãe está a dar de mamar. Eu não posso fazer nada!

Assim, aquilo que temos defendido ao longo destes recém-nascidos é que:
a) a mãe tenta sempre dar de mamar. No início, vê como corre, como vai nascendo e até quando é que apetece (à mãe e ao bebé) ser amamentado;
b) dependendo do período em que vão para a escola, vai-se introduzindo sopa, papas, suplementos. Foi diferente com todos e por motivos variáveis. Neste também será assim. O que é importante em todo este processo é que a mãe não sinta esse peso horrível chamado culpa, por deixar de amamentar e, por outro lado, que não queira continuar a amamentar "custe o que custar". Enquanto ambos se sentirem bem, vai-se continuando: uma vez por dia, ou duas, ou três.
c) somos completamente contra aquela teoria do "se eu estou acordada a dar de mamar, tu também ficas acordado a olhar para mim!". Na Margarida - que era a primeira - eu ainda fazia a parte de colocá-la a arrotar, quando ela mamava e eu estava "por ali". Mas com o aumento de filhos isso foi passando. A mãe dá de mamar e eu fico com as outras crianças. Ou a preparar o jantar. Ou a deitá-las. Ou a dormir... Porque de todas as vezes tem existido um acordo tácito (nunca negociado ou se quer conversado) onde quando as mais velhas acordam de noite, sou eu que vou ver o que se passa na esmagadora maioria das vezes. Quando é o bebé, a esmagadora maioria das vezes é a mãe que trata dele.

Para mim, enquanto pai, este é um ponto onde acho que o mais importante é que a mãe se sinta bem!


segunda-feira, 17 de julho de 2017

Domingo de passeio em família

Com uma família deste tamanho e tendo em conta que o elemento mais novo tem dias, pensar no que vamos fazer em família torna-se uma aventura...

Este domingo foi um dia enorme, mas acabou por ser óptimo...

Primeiro, o mais importante: fomos à missa!

A seguir, e depois de várias voltas por Sintra a tentar estacionar (de facto, a vila está a ficar caótica), fomos passear ao Palácio da Pena. O pai JP contou-nos a história dos reis e das rainhas que lá viveram, quem desenhou o palácio (nota-se que fiquei fascinada?) :)



Depois piquenique junto à Lagoa Azul, sentadinhos no chão, com sandocha e suminho. Um farnel mesmo à séria!



E a seguir praia em Cascais! Duas horinhas a lavar a vista, a sentir a água fria do mar com miúdas cheias de areia, mas onde ainda li um bocado do meu mega livro.

Ficámos cansados mas foi um dia bom!



quinta-feira, 13 de julho de 2017

E como temos passado?

Temos sobrevivido! :)

As noites, umas são mais fáceis outras menos e os finais do dia quando as manas chegam a casa são agitados.

De resto, temos feito muitas coisas e passeado :)




terça-feira, 11 de julho de 2017

E o peso? - Fala o Pai :)

O verão, por si só, já é altura de falar do peso das senhoras.
A gravidez e o parto é outro momento ideal...
Junta-se a isso, uma recente ciber-polémica, sobre uma mãe-conhecida, que teve dois filhos e que (pasme-se!) ainda tem barriga...
A minha querida mulher não é conhecida, mas reúne os outros dois tópicos, pelo que a sua barriga também é alvo de conversa interessante.
Como em tudo o que rodeia o mundo da maternidade, todas as pessoas têm sempre uma palavrinha a dar: "finalmente o rapaz? Lá conseguiu!"; "um casalinho, fica já despachado"; "4 filhos!! Mas onde é que tinham a cabeça?"; "4 filhos!! É isso, é preciso é crianças!"; "tantas crianças? São é malucos!"; "tantas crianças? São é corajosos"... E o rol continua.

Em relação à barriga não é diferente: "Já voltou a barriga ao mesmo? Como é que é possível?"; "Parece que está na mesma".

Quando tentamos dizer que não, ralham connosco e dizem "também, não pode querer tudo de uma vez"; "também foi só há X tempo..."

Sobre isso, acho que, realmente, a minha querida mulher ficou com mais barriga. Com mais rabo. Com mais peito. Com mais coxa. 
Mas também ficou com mais preocupação. Com mais horas de sono. Com mais olheiras. Com mais varizes.
E tudo isso acontece porque também ficou com mais filhos. Com mais amor. Com mais abraços. Com mais presentes do Dia da Mãe. Com mais alegrias. Com mais pessoas que ultrapassam conquistas. Com mais pessoas para transformar este mundo num lugar melhor. Com mais histórias para contar. Com mais experiência. Com mais pessoas para tomarem conta dela quando for velhinha. Com mais pessoas que lhe vão ligar durante o dia a contar novidades, a desabafar, a partilhar segredos. Com mais carinho. Com mais ternura. Com mais fotografias no quarto. Com mais pequeninos "nós".

Se tudo correr bem, nenhum de nós vai morrer novo e lindo de morrer (passo a expressão!). Se tudo correr bem a pele vai ficar enrugada, flácida e descaída. 
É feio, mas é o que esperamos: morrermos velhinhos. E nessa altura, se Deus quiser, estaremos velhinhos, enrugados e feios, mas teremos tido uma vida feliz  e estaremos rodeados de quem nos ama.
Por isso, só posso agradecer à minha mulher por "sacrificar" o corpo dela, envelhecendo-o antes do tempo natural, para que a nossa velhice seja gorda de amor! :)


segunda-feira, 10 de julho de 2017

E o peso?

Desta gravidez engordei 12 kg... foi a que engordei mais! 

Pela primeira vez na minha vida ultrapassei a barreira dos 60 kg e confesso que me sentia mesmo muito pesada. Os meus calcanhares doíam simplesmente de me pôr de pé em cima deles logo de manhã.

Parece um bocado estúpido falar assim quando existem não sei quantas pessoas com o drama do excesso de peso e que não conseguem mesmo emagrecer, enquanto as magras têm uma vida super facilitada podem comer qualquer porcaria, comer muito ou pouco que nada lhes acontece.

Com o passar dos anos fui aprendendo a lidar com esta questão da magreza, mas houve alturas em que a pressão de ser magra foi tanta que não sei se não seria o mesmo que sentem as obesas.

Antes de ser mãe o meu peso normal era 44 kg... podia comer muito, comer pouco, comer assim assim, comer comida muito saudável ou várias vezes no Mac, era aquilo e pronto...

Na ida às JMJ da Alemanha, já tinha perdido peso antes e como lá se come tão bem, vim de lá com uns 38 kg... os meus pais entraram em desespero, levaram-me ao médico: clínica geral, nutricionista, endócrinologista, carradas de análises e de exames à tiróide e umas papas para engordar... cheguei aos 47kg e cada kilo custou 100 €. Eu não era adolescente, tinha 22 anos e ainda bem que o meu pai pôde ajudar-me nisso.

Depois voltei aos meus normais 44 kg e mantive-me por aí. Na primeira gravidez engordei 9 kg  recuperei mais devagar (a cesariana é sempre mais difícil de recuperar) mas voltei aos 44 kg... Da segunda engordei uns 11 kg recuperei rápido (ao fim de três semanas vestia a minha roupa) e fiquei com 46 kg... Na terceira, engordei 9 kg recuperei ainda mais rápido (ao fim de 15 dias vestia a minha roupa) e fiquei com 48 kg.

Na quarta gravidez engordei 12 kg, pesei-me anteontem (menos de uma semana depois do parto) e já perdi 7 kg. E sei que já há pessoas a gabar a minha forma física e a minha barriga...

Mas esta "pressão" não é fácil de gerir. Ora bem, eu passei toda a minha vida a ouvir dizer que estou magra. Do género:

- Ah Olá! Não te via há tanto tempo! Tás tão magra!

A questão é que eu não estou tão magra... é eu SOU tão magra! 

Ninguém anda a dizer isso a uma gorda, pois não? Mesmo que seja verdade, parte-se do principio que a pessoa anda desleixada, anda a comer muito. Uma magra não está simplesmente a comer pouco, as magras à partida se estão muito magras é porque estão doentes! 

Com os anos fui aprendendo a gerir estes conflitos e a aceitar e a viver bem com o meu corpo (há sempre a dificuldade de não arranjar roupa para vestir, por exemplo) mas no fundo também soube ser psicóloga de mim própria e viver com isso. Por outro lado, também tenho um marido que me equilibra nisso e que me ajudou a aprender a comer e melhor que isso a aprender a gostar de comer.

Se me perguntassem que peso gostaria de ter? Gostava de ter o que tenho agora, estes 55 kg mas sem a barriga... sei que não vai acontecer mas se ganhar os 2 kg que costumei nestas ultimas gravidezes já posso sempre dizer que já posso dar sangue.



sexta-feira, 7 de julho de 2017

10/12

Mais um!

Entre dar de mamar e o JP ir buscar as miúdas à escola fui aproveitando os momentos todos para ler e devorei este livro.

Adorei!

Escrito de uma forma simples mas com uma história muito motivadora e bonita, conta a história de duas amigas de infância que se separam e depois voltam a juntar-se.

É muito giro!


quarta-feira, 5 de julho de 2017

9/12 e 9,5/12

Este post ficou por escrever antes de irmos para o hospital.

Uns dias antes do Martim nascer terminei o livro que estava a ler, o que se tornou chato porque quero ler aqueles calhamaços do Ken Follet e esses sao enormes nao dao jeito nenhum de levar para o hospital.

Ainda assim sobre este livro, dizer que senti que estava a ler poesia. A forma como a autora escreve e conta tres historias diferentes é tao melodiosa que parece em rima.

Um livro diferente, muito simples mas que fica, deixa historia em nós.


Depois o outro livro que terminei na noite antes do Martim nascer foi-me oferecido pelo JP, conta a gravidez semana a semana e por isso foi um livro que fui lendo semana a semana.

É muito light, uma versão muito simples e com curiosidades sobre a gravidez.





Foto de família!


Não é preciso dizer muito...

Esta é a foto que marca a nossa chegada a casa. Estamos felizes, na expectativa de a loucura que aí vem mas cheios de vontade e coragem de ver se estamos à altura do desafio.

Contamos com a família e os amigos para nos ajudarem!

terça-feira, 4 de julho de 2017

4º parto - agora a mãe!

Ainda não tinha vindo aqui porque me sinto ainda absorver tudo!

Aos poucos lembro-me de mais um ou outro pormenor e saboreio o momento.

Nunca tinha pensado num parto como um momento bonito... pelo contrário, e apesar das três experiências diferentes que tinha tido, achava tudo muito animalesco.

Quando era miúda, lembro-me de ter visto a gata da minha prima a ter gatinhos e achava que associava tudo ao mesmo :P

Sei que nada está nas nossas mãos, por isso o que vou escrever agora pode cair em "saco roto" porque sou daquelas pessoas que entrega tudo nas mãos de Deus... sempre disse que gostava de ter quatro filhos, acreditando que mudaria de ideias, porque é difícil, porque não ia ter dinheiro, porque... porque...

Apesar de nos sentirmos muito felizes e completos com as três miúdas, ficarmos grávidos do quarto não foi nenhuma desgraça, mesmo não tendo sido planeado ou esperado ou desejado ou querido. Foi uma surpresa e vivemos tudo como uma surpresa, mas vivi tudo a pensar é a ultima! (reforço a ideia de que sei que não está nas minhas mãos mas é o que sinto).

Tive sempre partos diferentes... na primeira gravidez, entrei para fazer um ctg a médica fez toque e comecei a sangrar. Era super fresquinha e sei que tive pouco mérito no trabalho de parto... não dilatei e a Guigas nasceu de cesariana. Foi um momento bonito, apesar de não poder ser partilhado com o pai, mas em que senti tirarem a miúda, ouvi-la chorar, mostrarem-na...

No parto da Matilde combinado com a médica, foi mais lento com epidural e um momento que descrevi na altura como muito bonito, ajudou-me a ganhar consciência de que é preciso fazer uma força enorme. O que retenho hoje era de várias pessoas me dizerem para fazer força e eu quando falo disso lembro-me de dizer que fiz mais força do que a minha maior força! 

No parto da Mafy dada a rapidez dos acontecimentos e por não ter conseguido levar a epidural aprendi oura coisa, é que além da minha maior força, a força tem de ser feita durante um período contínuo de tempo. Não é um bocadinho, é algum tempo seguido a fazer aquela força toda... 

Também aprendi com esta experiência toda, que há muitas coisas que não se ensinam na preparação para o parto. E que há coisas que deviam ser ditas de forma muito crua porque nós mães prestes mesmo a sê-lo ou acabadinhas de o ser, com hormonas aos trambolhões devíamos conseguir ter noção que outras mulheres passam pelo mesmo e assim já estávamos mais ou menos preparadas.

O parto do Martim, começou as 5h30 da manhã com a primeira contração. Assim que a senti percebi logo que ia ser! Outra às 6h00 e pensei: "de meia em meia hora dá para esperar e levar as miúdas à escola"... outra às 6h15: "hum se calhar não dá"... outra as 6h30: "JP é agora!"

Levantar, vestir, ligar à avó para ficar com as miúdas, preparar as coisas todas para levar e ir, chegámos ao hospital às 7h50. A enfermeira fez o toque: "3 cm, colo favorável, está muito bem e vai ser rápido".

Levaram-me para a mesma sala de dilatação onde já tinha estado quando foi a Guigas, deram-me o antibiótico porque o Stretocopus B era positivo por volta das 8h30 e fiquei à espera. Deviam ser umas 9h e tal passa a ronda das médicas, a dilatação ia em 5/6 cm vamos levar epidural.

O anestesista foi rápido a chegar e demorou meia hora a fazer tudo portanto já sem dores consegui relaxar ainda mais e entretanto o JP pôde vir ter comigo. Já tinha pedido para ele vir mas como estava a ser tudo tão rápido nem dava para o chamarem.

Por volta das 11h00 senti uma contração GIGANTE (mesmo anestesiada) e as águas rebentaram... o miúdo ficou doido e elas um pouco aflitas... Entretanto, uma mãe vai ter a criança e trocam as enfermeiras. Entra uma médica que diz que é melhor o Martim nascer, faz o toque e diz está com 9/10 cm vamos levá-la!

O JP ainda perguntou: Já? Perguntou-me se eu estava bem, disse-lhe que sim! Ficou descansado e vamos!

Já no bloco de partos entraram duas médicas, uma enviada pela minha queria Dra Amélia e percebi que seriam elas a fazer o parto. 

Perceberam, tal como eu já tinha percebido que ainda não estava no ponto e que a médica que me tinha mandado para ali se precipitou um pouco, mas conforme as contrações vinham e fui fazendo força, o Martim foi descendo.

Elas foram motivando, com tanta calma... é isso! A força é mesmo assim! Boa força! 

Mas a falar, sabem? Sem stress, sem estarem a gritar (foi para mim a grande diferença entre serem médicas ou enfermeiras a fazer o parto)... Ah! E esperavam que eu dissesse quando é que a contração vinha. Fui eu que disse sempre: vem aí uma!

E eu sentia que ele vinha aí :)

Olharam para mim e disseram: na próxima ele nasce!

Mentalizei-me e fiz força,sempre, sempre, sempre.... senti-o descer mas senti que a força ia falhar e a médica disse: não desiste!

Pensei: só mais um bocadinho e senti a cabeça dele sair. E logo, logo o resto do corpo deslizar... tal e qual lemos nos livros!

E juro que saboreei mesmo, mesmo o momento! Um momento bonito, de ternura, vivido e saboreado.

Tudo o resto é o normal, colocar em cima de mim, o pai cortar o cordão, pesar, recobro e isso tudo. O Martim nasceu às 11h34, dia 30/06/2017, com 3,4 Kg e veio pincelar a nossa vida de azul e na minha expetativa, promete pincelar a nossa vida com coisas muito boas.

A minha médica foi ver-me ao recobro e disse: no próximo já nem sabemos o que fazer para a surpreender que isto foi sempre a melhorar. Respondi-lhe: não quero próximo Dra, este foi para fechar em beleza e só tenho a agradecer-lhe por isso!

E é este sentimento que vivo, por agora! Estou a saborear tudo!







domingo, 2 de julho de 2017

This is me! This is us!



A Ritita gosta muito do filme "O Amor acontece" cuja primeira cena é num aeroporto e que explica todos os sentimentos que acontecem num aeroporto: a ansiedade, a tristeza, a alegria,...
Acho que há outro sítio que é assim, que é o hospital!

Bem ou mal, todos nós devemos passar algumas vezes pelo hospital ao longo da vida.
Neste caso, este hospital concreto, faz parte da minha vida... 

A primeira vez que me lembro, ou melhor, o momento em que o hospital Fernando da Fonseca (ou Hospital Amadora-Sintra, tal como é conhecido) passou a fazer parte da minha vida, foi no início da minha adolescência, quando um amigo nosso foi atropelado e nós quase que nos mudámos para o hospital durante o Verão.
Viemos de carro, de comboio, de autocarro. Éramos miúdos e queríamos estar juntos.
Nessa altura aprendemos a conhecer os corredores. Aprendemos a entrar pelas urgências, pelas consultas externas. Aprendemos truques para sermos mais a entrar e a passarmos a tarde no quarto. Uma vez chegámos a juntar-nos uns 15 num daqueles quartos das visitas, a jogar ao Uno! Volta e meia éramos expulsos... :)

Depois crescemos.
A minha mãe foi operada. Foi enquanto ela estava nestes quartos que recebi uma das piores chamadas da minha vida. Uma chamada de despedida que, graças a Deus, não veio a acontecer.
As estradas voltaram a trazer-me para aqui, por operações consecutivas e histórias mal explicadas.
Quis o destino que num desses internamentos acontecesse o nascimento da minha primeira filha. 
No mesmo hospital. Uns pisos abaixo.
Era quase 22h quando ganhei o epíteto de pai, pela primeira vez. Tirei uma fotografia manhosa e arrisquei-me a atravessar os corredores do hospital a essa hora. Passei de uma torre à outra e mostrei a fotografia da primeira neta à minha mãe.
Ao sair do hospital, lembro-me, como se fosse hoje, desse pensamento e sentimento de olhar para o hospital, com algumas janelas iluminadas, e de pensar que deixava ali 3 gerações de mulheres.
As mulheres mais importantes para mim: a minha mãe, a minha mulher, a minha filha.

Passaram mais alguns anos. A minha 2ª filha nasceu. No mesmo hospital.
Foi nesse hospital, noutro piso, que voltei a passar uma semana. Entre intervalos e pausas. Horas de almoço e finais de dia, uma ginástica para estar junto à minha família.

Nasceu a minha 3ª filha. Nasceu o meu 4º filho. Em ambos os momentos senti o apoio da equipa do hospital nesses momentos especiais.

Pelo caminho ainda voltei ao mesmo hospital para ver a minha avó pela última vez. Foi aqui, numa destas camas, com os mesmos lençóis, que a vi deitada e que falei com ela pela última vez.

Ao longo destes anos, houve outras vezes que a estrada me trouxe até este hospital, mas estas foram as mais marcantes.
Nos próximos anos sei que virei outras vezes.
Dessas vezes, tal como até agora, virei aqui, a este hospital, ter boas notícias e sorrir. Virei aqui ter más notícias e chorar. Virei aqui... viver a vida!

Já o disse no outro post: maus profissionais há em todo o lado mas, felizmente, a esmagadora maioria dos profissionais com quem me cruzo têm tido uma palavra de conforto, um sorriso, uma troca de experiências. E é tão melhor quando é assim!
Os seguranças e as senhoras da receção veem uma pessoa grávida e desejam que corra tudo bem. Não são máquinas. São humanos! Também eles têm mulheres ou filhas que vão ser mães ou que já foram. Também eles serão um dia pacientes...
Desta última vez aconteceu um outro fenómeno: as senhoras da receção do hospital decoraram os nomes das nossas filhas. Sabiam a nossa cama! Sorriam e perguntavam-lhes se o Martim estava bem.
Assim, durante um bocadinho, este hospital foi mesmo a nossa casa.

Este hospital faz parte da minha família.
Infelizmente a maior parte das séries norte-americanas transformam o que se vive em hospitais numa novela de affairs, entre os corredores. Mas quando olhamos para os corredores reais do hospital vemos outras coisas. Vemos que aqui há dramas. Aqui há sonhos. Aqui há pessoas que trabalham. Aqui há esperança. E as pessoas que aqui trabalham testemunham-nos todos os dias. E mesmo assim, ainda conseguem lidar com isso como se fosse a primeira vez.

Este hospital conta um bocadinho da minha história.
Este hospital conta um bocadinho da minha vida.
Sempre que estou neste hospital sinto que:

This is me!
This is us!

sábado, 1 de julho de 2017

A aventura de ter um 4º Filho - Conta o pai!


Quase 48 horas depois, conseguimos ter tempo para descrever como foi esta aventura, que isto de ter 4 filhos é outro campeonato... :)

Depois de ter falado na "segunda pessoa" quando fiz o post sobre o nascimento da Mafy, desta vez também quis explicar um bocadinho algumas diferenças... O que muda, agora...

O 1º parto tinha sido cesariana, o 2º foi marcado pela ansiedade de ter podido assistir, no 3º foi a velocidade de tudo ter corrido bastante rápido. Por isso, para este 4º tentámos mentalizar-nos para tudo!

Quando a Ritita me acorda às 6h da manhã e diz: "é agora", por mais mentalizado que se esteja e por mais que seja a 4ª vez, há sempre aquele formigueiro na barriga. Presente ao acordar. Ao pequeno-almoço. Quando pensamos que "vai acontecer!"
Temos que nos concentrar, pensar no plano para gerir as miúdas, o que seja mais favorável, e isto já compete ao pai, porque entretanto a mãe já está em respirações e a controlar dores - em modo parto. É ai que, mais uma vez, o pai começa a entrar em ação. Entretanto, como não podia deixar de ser, cá em casa as miúdas começam a acordar e tenta-se explicar o que está a acontecer. Dizem que querem ir para a escola (onde estão seguras e a sua rotina é igual. Como as percebo!).

Arrancamos para o hospital. A mãe entra. E o pai espera, no desespero que é aquela sala de espera, com mães a gemer e pais a roer unhas. Depois de umas 2 horas de espera, lá tenho autorização para entrar. E aqui, a diferença maior que noto é a tranquilidade! A nossa tranquilidade! A serenidade de se chegar a um sítio que é já nosso.
Ter o 4º filho permite-nos ter uma certa credibilidade no hospital e vivermos tudo com muito mais tranquilidade. As pessoas olham-nos com outros olhos. Já não somos os histéricos que fomos. Conhecemos o CTG, o que são contrações. Falamos quase de igual para igual:)

Lá dentro acabou por ser tudo muito rápido: entre entradas de enfermeiros, contrações e entradas de médicos, acabei por não estar nem uma hora na sala de dilatação com ela.
Avançámos para a sala de partos. E aí, é como se estivéssemos a ver um filme pela 2ª vez, ou pela 3ª... Sabem como é? Quando estamos menos ansiosos e reparamos em pormenores e diálogos que não tínhamos reparado da outra vez?

A minha querida esposa dominava a situação, mostrando que sabia o que devia fazer na altura certa. Que orgulho que senti na sua confiança, no seu controlo, na sua força!
E os médicos e enfermeiros não paravam de nos dizer que assim era mais fácil, com quem já sabia o que vinha fazer. Desta vez foi tão especial, que quando vi a cabeça a sair, mesmo antes dele chorar, confesso que desta vez tive "tempo" de me emocionar!
E não, não foi por ser um rapaz.... Foi porque pude apreciar o milagre que é trazer uma vida nova a este mundo. Fiquei com lágrimas nos olhos.
Não foi como nos filmes: não houve gritos, gotas de suor, máquinas a apitar. Foi um momento nosso. Especial!

Muito se tem falado de parto humanizado e natural. Das mães serem ou não dirigidas. De invadirem a privacidade. Da postura de médicos e enfermeiros. Mas a partir do momento em que eu vou para o hospital, eu quero ser dirigido. E apesar de ser uma privacidade diferente, em todos os momentos me senti acompanhado e com pessoas que sabiam o que faziam. Também existem por lá os técnicos de mau humor, mas tivemos sempre a sorte (ou a graça) de sermos acompanhados por pessoas humanas, que também partilham um pouco da sua vida...
Sei quantos filhos tem a enfermeira que teve connosco.
Sei quantos filhos quer ter a doutora, que se casou neste mês de setembro e que sonha com os seus próprios filhos.
Sei quantos partos fazem por dia.
Sei quem são. Não são - eles os médicos - um número para mim. São pessoas reais com fragilidades, mas com qualidades.
Quando me despedi destas pessoas - estranhas para mim - mas que partilham um momento especial, tive vontade de as abraçar para lhes agradecer.
Alem disso, isto de ter o 4º filho dá-nos ainda outros privilégios, pelo que ainda nos deixaram tirar uma fotografia com a criança ainda quentinha!




Depois o reverso da medalha é termos que gerir as outras 3 pestinhas que temos cá em casa. Os seus desejos. As suas ansiedades.
Mas têm-nos surpreendido tanto nestes dois dias!...

A Guigas, sempre mãezinha, a querer tomar conta dele e de todos. A explicar o que faz. A ter que dominar a situação.

A Mafy, que apesar de não querer pegar, devagarinho, primeiro faz uma festinha. Depois já quer dar um beijinho e depois dá muitos... E só sabe falar do mano Martim.


E a Matilde, que depois da aventura na ecografia, revelou um imenso carinho, ternura. E um desejo muito grande de ser irmã mais velha de dois. A fotografia não consegue captar toda a ternura do olhar dela.



E nós? Nós cá vamos ficando a babar, para esta família... que estamos a começar a construir!